Ouça este conteúdo
O encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos na Casa Branca teve vasta cobertura da imprensa. Afinal, ali está supostamente um grande foco de tensão política. Se Donald Trump fez o que fez com Nicolás Maduro, a princípio todos os aliados do ex-ditador venezuelano estão nessa incômoda berlinda.
E o que essa vasta cobertura da imprensa mostrou sobre o tão aguardado encontro? Nada. Ou melhor: mostrou uma coletânea de especulações obtidas pelo buraco da fechadura dos vazamentos mais ou menos confiáveis. Tudo aconteceu nas sombras.
Recomendamos para você
“Taxa das blusinhas” se tornou principal desgaste político de Lula, apontam pesquisas
Sucessivas pesquisas de opinião apontam que taxação de compras internacionais até US$ 50 foi mai...
Publicado em 2026-05-13 09:09:39
Ao lado de Lula, Alcolumbre não aplaude Messias durante posse no TSE
Episódio ocorreu durante posse de Kassio Nunes Marques como presidente do TSE; relação entre Lula...
Publicado em 2026-05-13 08:09:58
Quaest: governo Lula tem 39% de avaliação negativa; positiva, 34%
Pesquisa ouviu 2.004 eleitores, entre os dias 8 e 11 de maio; margem de erro é de 2 pontos percentu...
Publicado em 2026-05-13 08:06:17Não deixa de ser curioso que a imprensa brasileira dedique tanto espaço a um evento que, na última hora, foi sonegado à própria imprensa. A decisão de barrar toda e qualquer cobertura jornalística antes, durante e depois da reunião entre Lula e Trump foi atribuída a um pedido do governo brasileiro — segundo uma dessas fontes pelo buraco da fechadura. E não foi isso que dominou as manchetes na tal vasta cobertura. Incrível…
Ao contrário: a imprensa barrada agiu como mulher de malandro. Mesmo sem o direito a uma entrevista coletiva dos dois presidentes após a reunião, ou, pelo menos, a uma oportunidade de fotografá-los juntos e fazer-lhes perguntas breves antes da reunião, boa parte dos veículos saiu cantando vitória para Lula.
O presidente brasileiro não poderia sonhar com uma mídia mais compreensiva. Fez seu stand-up sozinho na Embaixada do Brasil em Washington, ajeitou sua “narrativa” sobre o encontro fechado do jeito que bem entendeu e emplacou manchetes de todos os tipos: mandou Trump sorrir mais, disse que o colega americano ainda vai fazer um pix etc. E a decisão grave de barrar a imprensa no grande encontro? Deixa pra lá.
VEJA TAMBÉM:
Recentemente, um desses levantamentos “científicos” que produzem estatísticas engraçadas anunciou o Brasil superando os EUA no ranking de liberdade de imprensa
Isso foi manchete na grande mídia — essa mesma que teve de se contentar com migalhas especulativas sobre o encontro na Casa Branca após a blindagem pedida pelo governo do Brasil, o país-sensação da liberdade de imprensa.
Esse coquetel de especulações e deduções aproximadas — típico de quando o jornalismo é barrado na porta — tem dado conta de que o encontro Lula-Trump foi marcado pelo empresário Joesley Batista. Então, além de driblar o circuito da imprensa, aparentemente o Brasil adotou também um circuito diplomático “alternativo”, por assim dizer. Sai o Itamaraty, entra a picanha. Muito saudável para a democracia.
Mesmo depois de todos esses sinais de movimentação subterrânea, a vida seguiu seu curso no faz-de-conta da grande mídia: Lula é a resistência democrática contra o fascismo imaginário. Jornalistas são impedidos de discutir um projeto de lei, e moradores são obrigados a retirar faixas de suas varandas. Mas está tudo normal.