Análise: Brasil quer melhor relação bilateral com EUA

Reunião entre Lula e Trump coloca em pauta minerais críticos, comércio e segurança pública em momento de interesse mútuo; análise é de Fernando Nakagawa no Bastidores CNN

O encontro entre Lula (PT) e Donald Trump marca uma tentativa do Brasil de intensificar acordos e parcerias estratégicas com os Estados Unidos em setores críticos da economia. A análise é de Fernando Nakagawa, no Bastidores CNN, que avalia os principais temas que estarão à mesa da reunião.

Segundo Nakagawa, os assuntos em pauta se dividem em dois grandes campos: comércio e segurança pública. No entanto, o analista observa que ninguém no governo brasileiro se arrisca a afirmar se haverá resultados concretos do encontro. "Se não estavam querendo nem confirmar a viagem antes da Casa Branca, imagine o que sairá dessa reunião", destacou.

Nakagawa aponta que, nas últimas semanas, o Brasil tem sido uma fonte de boas notícias para Trump no cenário doméstico norte-americano. Com a reversão de tarifas sobre a carne e o café brasileiros, esses produtos ficaram mais baratos no varejo dos Estados Unidos. O último indicador de inflação registrou queda de quase 1% no preço da carne no mês e de 3,4% no acumulado em três meses.

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"Há uma acomodação do preço da carne, um item que estava preocupando muito o consumidor americano e que boa parte, especialmente aquela usada para hambúrguer, vem do Brasil", explicou o analista.

O contexto é ainda mais relevante diante da alta no preço da gasolina nos Estados Unidos, que se aproxima de US$ 5 o galão — o maior patamar desde a guerra da Ucrânia. Nakagawa avalia que Trump poderia usar esse cenário para reforçar sua capacidade de negociação em temas relacionados à inflação. "Eu sei quem pode nos vender mais barato, a exemplo do que está acontecendo agora com a carne e com o café", seria o argumento disponível para Trump perante o público doméstico.

Minerais críticos: o grande trunfo brasileiro

Um dos pontos centrais da agenda bilateral é o interesse norte-americano nas reservas de terras raras e minerais críticos do Brasil. O país detém a segunda maior reserva desses minerais no planeta, perdendo apenas para a China. Com a China sinalizando restrições à venda desses recursos para os americanos, os Estados Unidos voltaram os olhos para o Brasil como fornecedor estratégico.

"Os Estados Unidos olham para o Brasil com muito interesse, porque acham que o Brasil pode vender esses minerais, essenciais para tudo que é tecnológico, para a indústria aeroespacial, indústria de defesa e para a transição energética", afirmou Nakagawa.

No entanto, o analista ressalta que o Brasil ainda não possui um marco legal consolidado para esse setor. Havia expectativa de que o projeto de lei sobre o tema, com relatoria do deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), fosse votado na Câmara, mas isso não ocorreu. "Se tivesse sido aprovado, o Brasil teria alguma concretude para começar essa conversa. Não tem", avaliou.

Nakagawa também pondera o que os Estados Unidos teriam a oferecer em troca, considerando que a retirada do Pix da lista de temas investigados pelo escritório de comércio norte-americano "parece pouco no momento atual".

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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/analise-brasil-quer-melhor-relacao-bilateral-com-eua/