Jorge Messias é sabatinado pelo Senado nesta quarta-feira (29) para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o analista de Política Pedro Venceslau, durante o CNN 360º, a principal estratégia de Messias para garantir sua aprovação é o diálogo com parlamentares evangélicos, dentro e fora do Congresso Nacional.
Durante sua fala inicial na sabatina, Messias abordou sua trajetória religiosa com palavras cuidadosamente escolhidas. Ele descreveu sua fé não como um “ativo”, mas como uma “bênção”, e ressaltou que o Estado é laico e que, como juiz, o que deve orientar a aplicação das leis é a Constituição, e não suas convicções religiosas.
“Quando ele começou a fala dele pela manhã, quando foi falar sobre a questão da religião, ele chegou a se emocionar e chorou. Foi um momento muito marcante e isso pode ter tocado alguns senadores evangélicos e mais conservadores que resistiam a votar nele”, destacou Venceslau.
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Publicado em 2026-04-29 19:14:17Fora do Congresso, Messias conquistou apoios relevantes, como o do apóstolo Estevão Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo. André Mendonça, ministro do STF e também evangélico, foi o primeiro a apoiar a indicação de Messias e desempenhou papel central na articulação, levando-o a conversar com diversas lideranças religiosas.
Em um evento realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo, em homenagem a André Mendonça, Messias estava presente na plateia ao lado de lideranças religiosas e de bolsonaristas de primeiro escalão do estado.
Dentro do Senado, a frente evangélica conta atualmente com 18 senadores, entre eles Damares Alves (Republicanos-DF) e Carlos Viana (PSD-MG). No entanto, sete senadores dessa frente fazem parte do bloco formado por PL, Avante e Novo, que declarou publicamente voto contrário a Messias.
“Como diz no jargão do Congresso Nacional, eles ‘fecharam questão’ contra o Jorge Messias. Ele não tem como reverter os votos desses sete parlamentares”, afirmou Venceslau.
Por outro lado, Messias conta com o apoio da senadora Elisiane Gama (PT-MA), integrante da frente evangélica e respeitada por seus colegas. Ela tem atuado, ao lado de André Mendonça, para quebrar resistências entre senadores que não são bolsonaristas.
“Eles já sabem que no PL, Messias não tem como reverter muitos votos, mas alguma coisa ele pode conseguir tendo a seu favor o fato de o voto ser secreto. O regimento acaba favorecendo Jorge Messias”, destacou o analista.
A base do governo também movimentou as peças na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), substituindo cinco senadores que votariam contra Messias por aliados. Toda a operação é descrita por Venceslau como um trabalho de contabilidade voto a voto, com o objetivo de superar as resistências e garantir a aprovação do nome de Messias para o STF.