Uma pesquisa de opinião realizada pela ferramenta NewsGuard com mil adultos americanos revelou que cerca de um em cada quatro americanos acredita que os tiros ocorridos durante um jantar de gala com Trump em Washington foram uma armação. Os dados indicam que 24% dos entrevistados consideraram o episódio uma farsa, enquanto 45% acreditam que foi real e 32% não souberam responder.

Entre os que classificaram o evento como encenado, os eleitores democratas e adultos entre 18 e 29 anos representaram a maioria. Teorias da conspiração se espalharam pelas redes sociais com acusações, sem provas, de que o governo Trump teria encenado o ataque para mobilizar apoio à construção de um salão de baile na Casa Branca.

Uma “crise de realidade” na política americana

Para Fernanda Magnotta, analista de Internacional, ao CNN 360º, os números revelam algo mais profundo do que a simples desconfiança política. “Essa é uma pesquisa que traz informações não tão novas, no sentido de que desconfiança e teorias conspiratórias têm sido uma espécie de constante na política americana há algumas décadas”, afirmou. No entanto, ela destacou que há um elemento inusitado no momento atual: “O que essa pesquisa traz à tona é que a polarização acabou se transformando numa crise de realidade.”

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Segundo Magnotta, os americanos já não discordam apenas em termos políticos ou sobre as melhores soluções para os problemas do país. “A gente está falando de uma discussão sobre a natureza dos próprios fatos, sobre se os fatos foram ou não realmente executados, uma discussão em torno do que é a verdade”, explicou. Para ela, esses números são “bastante alarmantes” e se amplificam no contexto das redes sociais, que criam um ambiente favorável à chamada “pós-verdade” e aceleram suspeitas, transformando qualquer evento em uma disputa de narrativa.

Divisão que aprofunda fraturas institucionais

Magnotta chamou atenção para um paradoxo importante: eventos de grande comoção, que historicamente funcionavam como fatores de coesão e união nacional, passaram a aprofundar divisões. “Por maiores divergências que pudessem existir entre democratas e republicanos, em situações extremas, como o caso de atentado contra a vida, era de se esperar que todos se unissem em torno de uma bandeira comum de condenação da violência política“, disse. Contudo, segundo ela, esses eventos agora servem como combustível para acusações, fazendo perder espaço a ideia de solidariedade institucional.

A analista alertou que essa “crise de realidade compartilhada”, presente tanto à direita quanto à esquerda, está se tornando cada vez mais danosa e favorece um ambiente perigoso, sobretudo em um ano eleitoral. “Esses números só nos revelam que há um processo de relativa normalização do absurdo”, afirmou Magnotta. Para ela, as instituições têm se mostrado frágeis e incapazes de conter novas ações, e nada indica que esse movimento será refreado. “A sociedade não está conseguindo processar de maneira racional, equilibrada e saudável esses tipos de eventos que derivam do fato de que nós estamos em um mundo cada vez mais polarizado“, concluiu.

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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/analise-politica-norte-americana-vive-crise-de-realidade/