Análise: Trump tem 12 dias especialmente estranhos — até para ele
Presidente americano faz ofertas polêmicas, ameaças e declarações controversas enquanto as eleições de Meio de Mandato se aproximam
Embora o comportamento pessoal do presidente Donald Trump seja frequentemente estranho, sua conduta ao longo dos últimos 12 dias tem sido bastante notável — especialmente com as eleições de Meio de Mandato chegando, no início de novembro.
- Ele ofereceu aos eleitores o que até alguns republicanos dizem ser equivalente a um suborno;
- Ameaçou (em tom de brincadeira?) reter ajuda a desastres de um estado caso ele não eleja um senador republicano;
- Às vésperas do 25º aniversário do 11 de setembro, contou uma história duvidosa sobre sua proximidade com o Ground Zero;
- Sugeriu, sem qualquer base, que os democratas conspiraram para matá-lo;
- Ameaçou suspender todo o comércio exterior;
- Mantém o futuro do Kennedy Center como refém caso os juízes não permitam que ele coloque seu nome no local, e afirma querer que seu proposto arco triunfal de 250 pés sobre o Cemitério Nacional de Arlington funcione também como um complexo militar abrigando drones e atiradores de elite;
- Além disso, passou a negar o acesso à Casa Branca a determinados veículos de comunicação, incluindo a CNN.
Uma das razões mais subestimadas para o declínio da fortuna política de Trump é a perda de confiança dos americanos em suas capacidades de liderança.
Pesquisas realizadas nos últimos meses mostraram:
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Publicado em 2026-09-20 12:03:39- 67% dos americanos disseram que ele não considera cuidadosamente as decisões importantes.
- 71% disseram que ele não tem "temperamento equilibrado".
- E mais de 7 em cada 10 adultos e eleitores registrados disseram que ele sequer tem um plano para a guerra com o Irã, de acordo com pesquisas tanto da Fox News quanto da CNN.
E na reta final para as eleições de meio de mandato de 2026, ele está fazendo muito pouco para dissuadir as pessoas dessas noções.
A oferta de Trump de $5.000 para cada cidadão adulto americano caso os republicanos mantenham suas maiorias na Câmara e no Senado é certamente uma troca de favores. Eleitores registrados dizem, na proporção de 66% a 18%, que isso é "inapropriado".
Sua ameaça em tom de brincadeira, feita na quarta-feira (16), de reter ajuda a desastres da Carolina do Norte caso o estado eleja um senador democrata também levanta sobrancelhas. Trump disse que estava brincando, mas seu histórico deixa claro que seu governo discriminou estados democratas em questões como essa. E é algo bastante sem graça para se brincar, mesmo que seja uma piada.
Seu relato às vésperas do aniversário do 11/9 sobre bombeiros que o carregaram em meio ao temor de colapso de um edifício não foi confirmado e é, no mínimo, enganoso, conforme escreveu Daniel Dale, da CNN. E na medida em que a história é exagerada, soa muito como o presidente se apropriando indevidamente de um mérito que não lhe pertence.
Trump também afirmou esta semana que a tentativa de assassinato de 2024 contra ele em Butler, Pensilvânia, foi "um Complô Democrata para me tirar da Eleição" — uma afirmação explosiva, se houvesse qualquer verdade nisso. Mas não há nenhuma evidência de que democratas estiveram envolvidos, e ele não forneceu mais detalhes. Na verdade, o suposto assassino Thomas Crooks era um republicano registrado. E até no mesmo dia dos comentários de Trump, o diretor do FBI, Kash Patel, testemunhou que não havia "nenhuma evidência" de que Crooks "estivesse literalmente sequer falando com qualquer outro ser humano além de seus pais".
Trump ameaçou repetidamente suspender grandes parcelas do comércio exterior dos EUA — incluindo com todos os países com os quais os EUA têm déficit comercial — caso o Federal Reserve não reduza as taxas de juros. "Se pararmos de comercializar com cada país com o qual temos déficit, que é a maioria deles, e o que seria muito fácil de fazer, ganharíamos pelo menos US$ 1,5 trilhão por ano", afirmou Trump na quarta-feira, na Carolina do Norte. Essa lógica não faz sentido algum.
Na sexta-feira (18), Trump anunciou de repente que estava "proibindo" a CNN, a MS NOW e a Politico da Casa Branca "com efeito imediato", pegando de surpresa até alguns de seus próprios assessores. Uma repórter da CNN teve o acesso ao terreno da Casa Branca negado na manhã de sábado e sua credencial de imprensa foi confiscada. Um repórter da Politico e um repórter e fotógrafo da MS NOW também tiveram o acesso negado.
Alguns dos outros exemplos do comportamento de Trump são um pouco mais pontuais, mas nem por isso menos curiosos.
Trump sugeriu na terça-feira (15) que os juízes da Suprema Corte que ele indicou podem ter deturpado suas intenções, dizendo que eles "não são as pessoas que entrevistei" e "são meras sombras de si mesmos". Ele rompeu com o protocolo de longa data da política externa dos EUA ao elogiar a perspectiva de reunificação da Irlanda. Chamou as preocupações com a segurança da IA de "farsa", apesar de grandes parcelas dos americanos estarem bastante preocupadas com o tema.
E, por fim, Trump passou grande parte desta semana buscando maneiras de forçar os tribunais a permitirem que ele coloque seu nome no Kennedy Center, apesar de isso ser aparentemente ilegal. Trump agora sugere explicitamente que pode deixar a instituição definhar e morrer caso não consiga o que quer.
Parece que foi há muito tempo, mas o assunto durante o primeiro mandato de Trump girava frequentemente em torno de seu "temperamento" e de seus tuítes. Sua conduta certamente dessensibilizou os americanos em alguma medida.
Mas esses parecem ser o tipo de comportamento que ele gostaria de conter às vésperas de uma eleição de meio de mandato, na qual o domínio do poder por parte de seu partido está em jogo e os eleitores têm dúvidas reais sobre sua estabilidade como líder.
Trump foi na direção oposta, intensificando as provocações.