O Banco Mercantil registrou um novo recorde de lucro líquido no primeiro trimestre de 2026, atingindo R$ 273 milhões — um crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado marca o 14º trimestre consecutivo de lucro recorde para a instituição.

Segundo comunicado do banco, o desempenho foi impulsionado pela expansão da carteira de crédito e pelo crescimento das receitas de serviços.

A carteira de crédito superou os R$ 25 bilhões ao fim do trimestre, com a expansão concentrada em linhas de produtos de menor risco. O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido médio) ficou em 42,7% no período.

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Estratégia focada no público 50+

Paulino Rodrigues, CFO da companhia, atribuiu, em entrevista exclusiva ao CNN Money, os resultados ao posicionamento estratégico da instituição.

“O Mercantil é um banco de 82 anos, mas ao longo dos últimos anos ele tem se posicionado mais fortemente no mercado do público 50+”, afirmou.

Segundo ele, a oferta do banco é voltada principalmente a aposentados e pensionistas que recebem benefícios previdenciários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), e toda a estrutura da instituição foi desenhada para atender esse perfil de cliente.

Paulino Rodrigues destacou ainda que o banco tem crescido “basicamente o triplo do mercado” nos últimos trimestres no segmento de crédito ao consumo, mesmo diante de cenários econômicos desafiadores.

Além do crédito, a instituição construiu uma oferta de produtos e serviços voltados especificamente para esse público, incluindo produtos de assistência que, segundo ele, têm tido boa receptividade entre os clientes.

Provisões elevadas pelo consignado privado

Um ponto de atenção no balanço foi o nível das despesas com provisão para perdas esperadas, que atingiu R$ 376,9 milhões no trimestre.

Paulino Rodrigues explicou que o aumento no chamado custo de risco está relacionado principalmente ao produto de consignado privado, lançado há aproximadamente um ano.

“Esse produto tem apresentado uma performance, não só no caso do Mercantil, mas no mercado como um todo, uma performance na perspectiva de risco, de inadimplência, aquém da expectativa”, disse.

Apesar disso, Paulino Rodrigues ressaltou que a inadimplência geral do banco ficou em 3,3% no primeiro trimestre de 2026, enquanto a inadimplência do mercado de pessoas físicas no Brasil atingiu 7%.

“O Mercantil ainda ostenta menos da metade da inadimplência de mercado”, afirmou, acrescentando que a instituição acompanha de perto a carteira de crédito para manter a performance dentro das expectativas.

Concentração no consignado e cenário macro desafiador

A carteira de crédito do Banco Mercantil está concentrada em mais de 70% no empréstimo consignado. Questionado sobre o risco estratégico dessa dependência, Paulino Rodrigues afirmou que a concentração é inerente ao perfil do público atendido.

O crédito consignado do INSS é a linha de crédito mais barata para esse público”, explicou, acrescentando que a linha movimenta cerca de R$ 300 bilhões em carteira no mercado e origina aproximadamente R$ 100 bilhões por ano no sistema financeiro.

A taxa máxima do consignado está em 1,85% ao mês, com prazo de até 96 meses.

Sobre o cenário macroeconômico, Paulino Rodrigues reconheceu os desafios, citando a inflação projetada pelo boletim Focus próxima de 4,9% ao final do ano, o ciclo de corte de juros que pode se encerrar antes do esperado e a volatilidade trazida pelo ano eleitoral.

Segundo ele, a estratégia do banco tem sido baseada em eficiência operacional e ganhos de escala.

“Apesar de enfrentar um cenário macro e também setorial bastante desafiador, a gente tem conseguido ganhar escala e capturar esses ganhos de modo a preservar as margens do banco”, concluiu, destacando que o ROE acima de 40% é um dos melhores do setor.

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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/aposta-do-banco-mercantil-e-no-publico-50-diz-cfo/