Apple privilegiará inovação com novo CEO

Chegada de John Ternus levanta debate sobre o futuro da liderança na era da IA

Mariana Suzuki, colaboração para a CNN Brasil*

A Apple anunciou que Tim Cook deixará o cargo de CEO após mais de uma década à frente da companhia. Ele será substituído por John Ternus, executivo com perfil mais técnico e ligado ao desenvolvimento de produtos. Cook permanecerá como chairman, garantindo a transição a partir de 1º de setembro de 2026.

Segundo Marilia Fontes, apresentadora da Resenha do Dinheiro, a troca marca uma mudança no estilo de gestão e levanta uma discussão sobre o tipo de liderança necessário em um cenário cada vez mais dominado pela inteligência artificial.

“Essa é uma conversa que vai além da Apple. Ela passa por entender qual será o estilo de liderança e principalmente, quem é o líder necessário em uma era de IA”, questiona Marilia.

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Este e outros assuntos da economia serão abordados no programa e na News da Resenha, newsletter para manter os investidores informados e ajudar na tomada de melhores decisões no mercado. 

Cook assumiu o comando da empresa em 2011, após a saída de Steve Jobs e construiu uma trajetória focada em eficiência operacional e um progresso constante. 

Sob sua gestão, a empresa ampliou margens, diversificou produtos e viu seu valor de mercado saltar de cerca de US$ 350 bilhões para US$ 4 trilhões.

Para Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, a escolha de Ternus sinaliza uma possível mudança de prioridade dentro da marca.

“A Apple vem sendo criticada por estar atrás na corrida da inteligência artificial. Virou até uma piada no mercado de hoje a Siri ainda se limitar a funções básicas, como previsão do tempo e calendário. Nada além disso”, diz Bernardo. 

Pascowitch pondera que a troca de liderança acontece em um momento de maior pressão por inovação, mas observa que esse tipo de avanço nem sempre acompanha a cobrança trimestral por resultados. 

“Você pode ter uma visão inovadora muito forte, mas se o mercado não comprar essa ideia no curto prazo, o CEO pode acabar sendo substituído”, acrescenta. 

A transição também representa uma mudança no equilíbrio entre eficiência e risco, de acordo com Marilia.

“O Tim Cook sempre priorizou eficiência, o que aumentou a margem de lucro e impulsionou o valor da empresa. Quando você migra para um perfil mais voltado à inovação, é necessário testar mais e isso significa gastar e errar mais. A questão é se os investidores estão preparados para esse cenário”, afirma.

Já o educador financeiro Thiago Godoy vê espaço para uma estratégia diferente da Apple no campo da IA. 

“A marca pode não estar focada em desenvolver a inteligência artificial mais avançada do mercado, mas abrir espaço para que as diferentes IAs operem dentro do seu ecossistema, aproveitando a força dos seus produtos já consolidados”, analisa Godoy. 

Resenha do Dinheiro

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Thiago Godoy, o "Papai Financeiro"; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/mercado/apple-privilegiara-inovacao-com-novo-ceo/