Baixa visibilidade no Amazonas impacta voos de combate a incêndios
Segundo o Ibama, a fumaça intensa causada pelas queimadas comprometeu a visibilidade dos pilotos e paralisou operações aéreas que lançavam água nos focos de incêndio
A péssima qualidade do ar provocada pela fumaça das queimadas no Amazonas dificultou a atuação de aeronaves no combate aos focos de incêndios florestais no estado. A informação foi confirmada neste sábado (17) pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
Ao todo, quatro helicópteros que atuavam na distribuição de brigadistas e equipamentos para a operação, e que também realizavam lançamentos de água, chegaram a voar pela região, mas não completaram as missões por falta de visibilidade - fator apontado pelo órgão como o principal obstáculo das equipes.
Apenas seis aviões Air Tractor - aeronave turboélice, especializada em voos para aviação agrícola, combate a incêndios florestais e missões militares - conseguiram realizar os lançamentos na região mesmo com interferências.
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Publicado em 2026-10-22 15:59:45O instituto ainda explica que uma das aeronaves, o avião KC-390, de transporte militar multimissão utilizado para uso tático e logístico, reabastecimento em voo e combate a incêndios florestais, deve retornar às operações assim que a manutenção for concluída.
“As aeronaves que operam sob regras de voo visual (VFR, na sigla em inglês) estão sujeitas a requisitos mínimos de visibilidade, que podem chegar a 5.000 metros. Em determinadas condições, operações autorizadas sob VFR especial permitem mínimos inferiores, conforme a regulamentação aplicável. Abaixo desses limites, as aeronaves ficam impedidas de operar por razões de segurança dos pilotos e para evitar paralisações maiores”, apontou o Ibama.
Ampliação do combate aos incêndios
O Governo Federal anunciou, neste sábado (17), a ampliação de ações de combate aos incêndios florestais no Amazonas, com reforço de aeronaves, mobilização de forças de segurança e das Forças Armadas, ampliação da estrutura de saúde e destinação de recursos para ações emergenciais.
Entre as medidas que serão adicionadas estão a mobilização de cinco aeronaves adicionais, elevando de 11 para 16 o total disponibilizado para as operações, além de uma nova base centralizada da Força Nacional do SUS em Manaus e R$ 14 milhões para ações de assistência humanitária e contratação de duas aeronaves.
Os reforços aéreos contam com um segundo avião KC-390, com capacidade para lançar até 19 mil litros de água por saída. A aeronave se somará ao KC-390 já mobilizado, com capacidade de lançamento de 12 mil litros.
Manaus está entre as cidades mais atingidas com a fumaça
Nos primeiros 17 dias de outubro, o Amazonas registrou 1.892 focos de incêndio, segundo o Painel do Fogo, do Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia), órgão ligado ao Ministério da Defesa. A iniciativa monitora queimadas e incêndios florestais.
Há cerca de 10 dias, Manaus, a capital do estado, está coberta de fumaça em razão das queimadas registradas nos municípios do interior do Amazonas, principalmente nas regiões Leste e Metropolitana, além outros estados.
Entre 7h e 8h deste sábado (17), o índice de qualidade do ar da cidade chegou a 693 pontos, nível considerado “perigoso” pela plataforma internacional IQAir. Até o fim do dia, Manaus ocupava o topo do ranking das cidades mais poluídas do Brasil.
A Defesa Civil também classificou a qualidade do ar como péssima neste sábado. Às 6h30, a concentração média de partículas finas (MP2,5) chegou a 401,4 µg/m³.
Nas redes sociais, a Prefeitura de Manaus continua pedindo para que a população fique em casa e denuncie focos de incêndio à ouvidoria do Ministério Público do Amazonas ou à guarda municipal.