Você vai dizer que já sabia que Jorge Messias seria rejeitado pelo Senado. Mas duvido. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

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— Bem-vindo ao STF, ministro Jorge Messias. Aqui está o seu crachá. Venha comigo. Vou te mostrar seu gabinete. Ah, esqueci de me apresentar. Meu nome é Cidadão Brasileiro e eu serei o seu capacho aqui no Supremo. Sim, até o senhor completar 75 anos. Não é uma maravilha? Se deu bem, hein, ministro. Pode me humilhar, me xingar, me ameaçar de prisão, me calar. Pode até contrariar meus valores. Pode fazer o que quiser comigo. Até porque agora, como ministro do STF oficialmente confirmado pelo nosso maravilhoso Senado Federal, o senhor pode tudo. Tudo mesmo. Até aquilo que aos pobres mortais não convém. Pode viajar em jatinho de empresário com ação no STF. Pode ganhar milhões com contratos suspeitos. Se bem que para isso o senhor terá de contar com a ajuda da esposa. Pode beber McCallan à vontade. Sem falar em outras licenciosidades que, bom, o senhor vai ficar sabendo no convívio com os outros ministros. E, ó, se alguém lhe disser o contrário e vier com aquele papinho de limites constitucionais, é só ignorar. De vez em quando, bem de vez em quando, aparece por aqui um pessoal da imprensa com essa história aí e um tal de freios e contrapesos e aquele blábláblá de democracia e devido processo legal. Meu conselho: ignore. Ou mande prender. O senhor é quem sabe. O senhor sabe tudo. Por aqui. Olha que linda a placa que fizemos pro senhor: Gabinete do Bessias. Ah, meu Deus! Alguém errou o seu nome, excelência. Mil perdões. Deve ter sido um bolsonarista. Juro que não acontecerá novamente. Vou pedir a substituição da placa agora mesmo. Mil perdões. Entre, por favor. Não é lindo? O antigo dono deixou esse Romero Britto na parede, mas se o senhor quiser mudar é só falar que a gente providencia. A poltrona estofada de oncinha também é coisa do antigo dono e o pôster do Bel Marques... Acertou. É coisa do antigo dono. Bom, se precisar de qualquer coisa, é só me chamar. Seu pedido é uma ordem. E assim será até 2055. A não ser que... Nada, não. Desculpe. É que de vez em quando eu falo umas bobagens sem pensar.

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