Brasil estoca apenas metade da safra e amplia custos logísticos
Capacidade de armazenagem nas fazendas representa 17% do total, aponta estudo da empresa de tecnologia nstech
Enquanto os Estados Unidos possuem uma capacidade de armazenamento o equivalente a 150% de sua produção de grãos, com mais de 65% dos silos localizados dentro das propriedades rurais, o Brasil consegue estocar apenas cerca de metade da safra. Nas fazendas brasileiras, a capacidade representa somente 17% do total disponível, cenário que amplia os custos logísticos e dificulta o escoamento da produção.
Os números fazem parte do relatório "Retrato da Logística de Grãos do Brasil" elaborado pela empresa de tecnologia logística nstech, maior empresa de software para supply chain da América Latina elaborado com base em dados da Esalq-Log, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e do Ministério dos Transportes.
O documento analisa a dinâmica da matriz de transportes e aponta a tecnologia como vetor central de competitividade no setor.
Recomendamos para você
Justiça condena empresa de frete por atraso de 100 dias em mudança da Holanda para o Brasil
Empresa que atrasou mudança da Holanda para o Brasil em mais de 100 dias é condenada a ind...
Publicado em 2026-07-06 05:11:37
Último terço da compra de fertilizantes concentra risco para safra de soja
Produtores que deixam a compra para o último terço da demanda podem enfrentar dificuldades de aces...
Publicado em 2026-07-06 04:55:31
Última Copa de Neymar marca o fim da “era 7×1” na Seleção Brasileira
Sem um herdeiro direto e com traumas profundos, seleção precisa se reinventar para o próximo cicl...
Publicado em 2026-07-06 04:05:10Safra recorde
Segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de grãos deve atingir 356,3 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, volume recorde impulsionado pelo aumento da produtividade e da área cultivada.
O déficit de armazenagem faz com que grande parte da produção precise ser transportada logo após a colheita, sobrecarregando rodovias, elevando os custos com frete e reduzindo a capacidade do produtor de escolher o melhor momento para comercializar os grãos.
O levantamento mostra que o modal rodoviário continua predominante no transporte de grãos no país. Em 2023, as estradas responderam por 69% do escoamento da soja brasileira, enquanto as ferrovias representaram 22% e as hidrovias, 9%.
A expectativa é de uma pequena mudança nessa distribuição. Segundo o estudo, em 2025 a participação das ferrovias foi de 25%, enquanto as hidrovias permaneceram com 9%.
Ainda assim, o transporte rodoviário continuará responsável por cerca de dois terços da movimentação da safra.
Segundo o relatório, essa concentração mantém elevados os custos logísticos e aumenta a pressão sobre a frota de caminhões durante o período de colheita.
De acordo, Thiago Cardoso, diretor de Agronegócio da nstech, a predominância rodoviária ainda expõe ineficiências, com o país operando com um excedente estimado de 70 mil caminhões em rotas de longa distância.
Para superar esses desafios, Cardoso aponta que a agenda ESG e a digitalização deixaram de ser diferenciais e passaram a ser pré-requisitos comerciais.
Especialistas apontam que ampliar a rede de armazenagem é uma das principais medidas para aumentar a eficiência da logística agrícola brasileira.
Com maior capacidade de estocagem nas propriedades, os produtores podem distribuir o transporte ao longo do ano, reduzir filas em armazéns e portos e comercializar a produção em momentos mais favoráveis de preços.