Cinco exames que toda mulher na menopausa deveria conhecer

Calorões e alterações menstruais costumam concentrar a atenção durante a menopausa, mas nem todo sintoma dessa fase é provocado pela queda dos hormônios; médico Dr. Douglas Schreck explica por que alguns exames podem ajudar a identificar alterações

Brazil Health

Quando uma mulher entra na menopausa, é comum que toda a atenção se volte para os hormônios. De fato, a redução do estrogênio explica muitos dos sintomas dessa fase da vida, como ondas de calor, alterações do sono, ressecamento vaginal e mudanças no humor.

Mas nem tudo pode ser atribuído à menopausa.

Cansaço persistente, dificuldade para emagrecer, perda de força muscular, alterações de memória, indisposição e dores no corpo também podem estar relacionados a deficiências nutricionais, alterações metabólicas ou processos inflamatórios que merecem investigação.

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É justamente por isso que, em algumas situações, o médico pode solicitar exames que vão muito além da avaliação hormonal.

Cada exame responde a uma pergunta diferente

Um dos exames mais conhecidos é a vitamina D. Embora sua dosagem não seja indicada rotineiramente para toda a população, ela pode ser importante em mulheres com fatores de risco para deficiência, osteoporose, baixa exposição ao sol ou sintomas compatíveis. A vitamina D participa da saúde óssea, muscular e do funcionamento do sistema imunológico.

A vitamina B12 também merece atenção quando há queixas como fadiga, alterações de memória, formigamentos ou anemia. Sua deficiência pode comprometer o funcionamento do sistema nervoso e afetar significativamente a qualidade de vida.

Outro exame frequentemente solicitado é a ferritina, que avalia as reservas de ferro do organismo. Embora a deficiência de ferro seja mais comum antes da menopausa, ela também pode ocorrer nessa fase por diferentes causas e contribuir para cansaço, fraqueza e queda de cabelo.

Já a proteína C-reativa (PCR) é um marcador de inflamação. Em determinadas situações, especialmente quando associada à avaliação clínica e de outros fatores de risco, pode contribuir para uma visão mais ampla da saúde cardiovascular e metabólica.

A insulina, geralmente interpretada em conjunto com a glicemia, ajuda a identificar resistência à insulina, alteração bastante frequente durante o envelhecimento e associada ao aumento do risco de diabetes tipo 2, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares.

Mais importante do que pedir exames é saber interpretá-los

Um erro cada vez mais comum é acreditar que quanto maior o número de exames, melhor será o cuidado com a saúde. Na prática, exames laboratoriais são ferramentas de apoio ao raciocínio clínico. Eles devem responder a perguntas específicas formuladas durante a consulta médica.

Por isso, esses cinco exames não fazem parte de um check-up obrigatório para todas as mulheres na menopausa. Sua indicação depende da história clínica, dos sintomas, dos antecedentes familiares, dos hábitos de vida e da avaliação individual de cada paciente.

Solicitar exames sem critério pode gerar diagnósticos equivocados, tratamentos desnecessários e até preocupação excessiva diante de pequenas alterações sem relevância clínica. Da mesma forma, deixar de investigar sintomas persistentes pode atrasar o diagnóstico de problemas que têm tratamento.

Menopausa é uma fase, não uma doença

A menopausa representa uma transição natural da vida da mulher. Embora traga mudanças importantes, ela não explica automaticamente todo sintoma que aparece depois dos 45 ou 50 anos.

Uma avaliação ampla, que considere aspectos hormonais, metabólicos, nutricionais e cardiovasculares, permite compreender melhor o que está acontecendo com cada paciente e definir quais exames realmente fazem sentido.

O objetivo da medicina moderna não é pedir mais exames, mas solicitar os exames certos para a pessoa certa, no momento adequado. É essa abordagem individualizada que permite transformar informações laboratoriais em decisões capazes de melhorar a saúde e a qualidade de vida durante a menopausa.

*Texto escrito pelo radiologista Dr. Douglas Schreck (CRM 37371), especialista em Radiologia e Diagnóstico por Imagem pelo SIR-Mãe de Deus, coordenador do CDI-Ultrassom do Grupo Vila Nova (HRES) e membro da Brazil Health

Referências

  • North American Menopause Society (NAMS). The 2023 Nonhormone Therapy Position Statement e documentos sobre avaliação clínica da menopausa.
  • Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Diretrizes sobre climatério e menopausa.
  • Endocrine Society. Clinical Practice Guideline on Vitamin D for the Prevention of Disease.
  • American Diabetes Association (ADA). Standards of Care in Diabetes - 2025.
  • U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF). Recomendações sobre rastreamento laboratorial e prevenção em adultos.


Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/cinco-exames-que-toda-mulher-na-menopausa-deveria-conhecer/