Como pesquisadores encontraram fóssil de serpente ancestral em SP
Tametara mirim, encontrado em Presidente Prudente, revela detalhes do cérebro e hábitos que explicam a evolução e diversidade das serpentes
Um fóssil de uma das primeiras serpentes conhecidas que foi descoberto no Sítio Paleontológico 'José Martin Suárez', em Presidente Prudente, no interior de São Paulo pode ajudar os pesquisadores a esclarecer como esses animais evoluíram e ocuparam diferentes ambientes ao longo do tempo.
O estudo, publicado nesta quarta-feira (22) na revista Nature, analisa a espécie Tametara mirim, identificada a partir de um fóssil da metade posterior de um crânio preservado em 3D e mandíbulas articuladas com a porção anterior do pós-crânio, incluindo 103 vértebras pré-sacrais.
O fóssil foi descoberto em 2020, na Formação Adamantina, na Bacia Bauru. Segundo os pesquisadores, o ele tem entre aproximadamente 85 milhões e 75 milhões de anos.
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Publicado em 2026-07-24 18:27:55A preservação do material permitiu que os pesquisadores realizassem exames em alta resolução. Com a técnica, foi possível reconstruir em detalhes estruturas do crânio, incluindo o cérebro, nervos cranianos e o ouvido interno do animal.
A análise revelou que o cérebro de Tametara mirim apresentava uma morfologia diferente daquela observada tanto em outras serpentes primitivas quanto nas espécies atuais. Para os pesquisadores, essa diferença indica que, já no início da evolução das serpentes, existia uma diversidade na anatomia cerebral e, provavelmente, nas funções sensoriais desses animais.
O formato do cérebro e outras características anatômicas também forneceram evidências de que Tametara mirim tinha um modo de vida associado a ambientes subterrâneos.
Os pesquisadores compararam as características encontradas no fóssil com as de outra serpente primitiva, Dinilysia, e identificaram diferenças que indicam que as duas espécies ocupavam ambientes distintos. Enquanto Tametara apresentava evidências compatíveis com um modo de vida subterrâneo, Dinilysia apresentava características de uma espécie com hábitos terrestres superficiais.
O fóssil de Tametara mirim é composto por parte do crânio e da mandíbula articulados com a porção anterior da coluna vertebral, que preserva cerca de 103 vértebras antes da região cloacal, localizados entre a base do crânio e a cloaca. O crânio mede 17,8 milímetros, com comprimento total estimado em aproximadamente 33 milímetros, enquanto a parte preservada do corpo possui 419 milímetros.
O estudo também confirma a origem das serpentes no Jurássico Médio e uma origem das serpentes modernas, chamadas de serpentes coroa, no início do Cretáceo Superior.