A conectividade no campo ainda é gargalo para ampliar o uso de dados, acelerar decisões e viabilizar novas tecnologias no agro. Executivos do setor destacaram, em painel no Rural Summit, que o retorno financeiro não vem apenas da instalação da conectividade, mas da aplicação prática das informações geradas em tempo real.

Supervisor de transformação digital da Usina Santa Adélia, Guilherme Martins afirmou que a conectividade precisa ser acompanhada de outras ferramentas para gerar resultados operacionais. “Ela não se paga, a conectividade. Você precisa ter uso para ela. Atrelado à conectividade colocamos novas tecnologias para reduzir custos operacionais para que se pagasse o projeto”, disse.

Segundo ele, a usina implantou o sistema em 2022 e passou a operar com altos índices de cobertura e monitoramento contínuo das máquinas agrícolas. “Você consegue tomar decisão de forma mais rápida, fica mais ativo com a conectividade. Se torna em tempo real para que a gente consiga capturar os ganhos”, afirmou.

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De acordo com Martins, no primeiro ciclo após a implantação, a empresa alcançou mais de 90% de cobertura de conectividade no campo e manteve entre 92% e 94% do tempo das máquinas conectadas.

Inteligência artificial

Entre os resultados operacionais citados estão a redução de 30% no tempo de motor ocioso (quando o equipamento permanece ligado sem operar) e uma queda de 5% no consumo de diesel. O monitoramento ativo também permitiu ampliar em uma hora e meia o tempo de corte das colhedoras.

A relação entre conectividade e tomada de decisão também foi destacada por Alexandre Dal Forno, diretor de negócios e soluções B2B da TIM. Segundo ele, a infraestrutura de conexão é pré-requisito para o uso de inteligência artificial no agro. “Pra ter dados você tem que ter conectividade, e não vai ter como usar IA para agrupar as informações e poder tomar as decisões adequadas”, afirmou.

Já João Aranda, gerente de infraestrutura, governança e serviços de TI da SLC Agrícola, definiu a conectividade como uma tecnologia habilitadora para outras aplicações dentro das operações agrícolas. “Não olhar tanto o custo”, disse ao comentar a necessidade de enxergar a conectividade como base para ganhos posteriores.
Aranda afirmou que o fluxo de dados dentro das empresas mudou nos últimos anos. “A informação que ia para um parceiro e ele te entregava um relatório, hoje já chega pra gente. Dado deixa de ser um passivo e passa a ser um valor estratégico dentro da operação”, afirmou.

Ele também mencionou mudanças relacionadas à governança e à proteção das informações geradas no campo. Segundo o executivo, as empresas passaram a manter os dados de forma mais restrita e com controles próprios, sem depender de plataformas públicas de inteligência artificial.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/conectividade-rural-e-base-para-inteligencia-artificial-no-agro/