A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra voltou ao centro de investigações policiais após ser presa, nesta quinta-feira (21), em São Paulo, em uma operação do Gaeco que apura crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Com detenções em diferentes estados, as acusações contra a empresária envolvem desde a exploração de jogos ilegais até supostos vínculos financeiros com a cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital).

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A prisão na Operação Vérnix e a ligação com o PCC

Na manhã desta quinta-feira, a Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público deflagraram a Operação Vérnix, que resultou na prisão preventiva de Deolane Bezerra.

De acordo com as investigações, a influenciadora ocupa uma posição de destaque em uma engrenagem financeira milionária utilizada para ocultar e reintegrar à economia formal recursos da alta cúpula do PCC.

As autoridades apontam que Deolane possui vínculos pessoais e negociais com gestores de uma transportadora em Presidente Venceslau, utilizada como braço financeiro da facção.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 327 milhões e o sequestro de bens, incluindo veículos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões.

Antes da detenção, o nome da advogada chegou a ser incluído na lista da Interpol (difusão vermelha) enquanto ela estava em Roma, na Itália.

Operação Integration: jogos ilegais em Pernambuco

Anteriormente, em 4 de setembro de 2024, Deolane foi presa em Recife durante a Operação Integration.

A investigação visava coibir crimes de lavagem de dinheiro e a prática de jogos ilegais vinculados a casas de apostas. Na ocasião, a mãe da influenciadora também foi detida.

Após obter um habeas corpus em 9 de setembro, Deolane foi solta sob medidas cautelares, mas voltou à prisão no dia seguinte por descumprir determinações judiciais.

Sua soltura definitiva naquele processo ocorreu no final de setembro de 2024, após o Tribunal de Justiça de Pernambuco considerar frágeis os indícios de autoria apresentados até aquele momento.

Origem das investigações e o papel da influenciadora

O atual esquema investigado na Operação Vérnix tem raízes em 2019, quando bilhetes e manuscritos foram apreendidos na Penitenciária II de Presidente Venceslau.

O material revelou ordens da cúpula da facção, incluindo nomes de familiares de Marcola e referências a movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos.

Para os investigadores, a projeção pública e a atividade empresarial de Deolane eram utilizadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.

Pelas redes sociais, a advogada e irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, afirmou que a nova prisão de Deolane significa uma perseguição contra a advogada. Veja nota na íntegra:

“Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos. 

Acusar é fácil. Difícil é provar.

No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expões, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública…para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi feito. E isso é grave.

Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social.

Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome.”

A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos citados. O espaço segue aberto.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/deolane-bezerra-e-presa-pela-segunda-vez-relembre-investigacoes/