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Figura central no debate sobre segurança pública no país, Guilherme Derrite (PP-SP) construiu sua trajetória entre a atuação policial e a vida política. Ex-oficial da Polícia Militar de São Paulo, ele ganhou projeção nacional ao migrar para o Congresso, onde se consolidou como uma das vozes mais firmes em defesa do endurecimento das leis penais e do combate ao crime organizado. Cotado para disputar uma vaga ao Senado por São Paulo, Derrite também passou a ocupar espaço nas articulações da direita para 2026.
Nesta entrevista à coluna Entrelinhas e ao programa Sem Rodeios, ele fala sobre os rumos da sua pré-campanha, critica o que considera um desequilíbrio entre os Poderes, defende a classificação de facções como organizações terroristas e aponta a impunidade como o principal entrave à segurança pública no Brasil. Ao longo da conversa, também aborda bastidores políticos, relações internacionais no combate ao narcotráfico e os desafios de enfrentar a infiltração do crime dentro do próprio Estado.
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Publicado em 2026-04-28 15:21:26Entrelinhas: O senhor é apontado como um dos nomes ao Senado pelo grupo de Eduardo Bolsonaro. Como deve ser a sua campanha? Ela vai se pautar principalmente pela Segurança Pública ou também por temas como Supremo Tribunal Federal, censura e o inquérito das fake news?
Derrite: Não só a minha, mas qualquer pré-candidato ao Senado que não estiver disposto a fazer esse enfrentamento, a voltar a equilibrar a balança da democracia brasileira — porque é notório que há um avanço do Poder Judiciário — não está preparado. O responsável por esse equilíbrio é o Senado Federal, e isso não está sendo feito por falta de coragem. Sem dúvida, esse avanço tem prejudicado muito o país. Estaremos prontos para discutir abusos, avanços e eventuais crimes de responsabilidade de ministros da Suprema Corte. E, claro, segurança pública não é uma bandeira minha, é a minha vida há praticamente 24 anos.
Entrelinhas: O senhor foi anunciado como o principal pré-candidato do grupo de Eduardo Bolsonaro para a disputa ao Senado em São Paulo. Já existe definição de quem ocupará a segunda vaga na chapa?
Derrite: Ainda não. Sei que há alguns nomes disputando essa segunda vaga. Esse número diminuiu e hoje está entre Mário Frias, André do Prado e o Coronel Mello Araújo. Estou na expectativa dessa definição. Lembrando que fui eleito pelo PL e migrei para o Progressistas por estratégia, já que a primeira vaga era do Eduardo Bolsonaro. A ideia é fortalecer a direita para conquistar as duas cadeiras.
Entrelinhas: Houve informações de que Valdemar Costa Neto teria barrado sua volta ao PL. Isso aconteceu?
Derrite: Não. Não houve isso. Houve sondagem para meu retorno, mas eu já tinha compromisso com o Progressistas. Tudo foi tratado estrategicamente, com diálogo. Não houve animosidade. A estratégia é eleger dois senadores alinhados à direita. E não vejo tentativa de afastamento do bolsonarismo — é inviável uma candidatura majoritária em São Paulo sem esse apoio.
Entrelinhas: O senhor acredita que existe excesso de restrições legais à atuação dos policiais?
Derrite: Não vejo apenas como excesso de restrição. Claro que a atuação policial precisa de mais segurança jurídica, mas esse não é o maior problema. O Brasil se tornou o paraíso da impunidade. Não é o excesso de mecanismos que trava o policial, mas os mecanismos que garantem a impunidade do criminoso. Temos casos absurdos, como criminosos reincidentes inúmeras vezes. Isso mostra que o problema central é a impunidade.
Entrelinhas: O senhor foi relator do PL Antifacção. Como vê a discussão sobre classificar facções como PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas?
Derrite: Sou totalmente favorável. Essas organizações praticam terrorismo diariamente. A lei proposta pelo governo era fraca, nós a endurecemos com penas muito mais severas. A classificação como terrorismo não avançou naquele momento por estratégia, mas é um tema que precisa voltar. Há estudos indicando que cerca de 19% dos brasileiros vivem em áreas dominadas por facções. Isso já afeta a soberania nacional.
Entrelinhas: Qual a importância da pressão internacional, especialmente dos Estados Unidos, sobre o Brasil em relação ao narcotráfico?
Derrite: Vejo como legítima. O problema não é só nosso. A droga que passa pelo Brasil chega à Europa e aos Estados Unidos. Falta organização do governo federal para lidar com fronteiras e combate ao tráfico. O ideal seria cooperação internacional. O Brasil precisa assumir protagonismo e enfrentar esse problema com seriedade.
Entrelinhas: Como combater a infiltração do crime organizado dentro do Estado e das forças policiais?
Derrite: Com corregedorias fortes e independentes. Não há outro caminho. Foi assim que conseguimos identificar e prender policiais envolvidos em desvios. Além disso, é fundamental a parceria com o Ministério Público e o fortalecimento da inteligência.
Entrelinhas: Esses escândalos recentes podem expor mais as facções criminosas?
Derrite: Sim, mas o caminho é inteligência e tecnologia. Investimos muito nisso, especialmente no combate à lavagem de dinheiro. Criamos mecanismos para que recursos do crime fossem revertidos para a segurança pública. Isso só é possível com tecnologia e integração de dados.
Entrelinhas: Apesar da redução de homicídios, ainda há sensação de insegurança em São Paulo. Qual o desafio?
Derrite: O desafio é a legislação. O sistema penal brasileiro funciona como uma porta giratória. O criminoso entra e sai rapidamente. Enquanto o crime compensar, ele continuará acontecendo. Precisamos endurecer as leis e aumentar o custo do crime. Só assim teremos uma redução significativa da criminalidade.
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