O governo deve anunciar oficialmente o programa Desenrola 2.0, cuja nova fase permitirá que trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos utilizem o saldo do FGTS para quitar dívidas com descontos que podem chegar a 90%.

Segundo estimativas do Ministério do Trabalho, a medida deve ter um impacto de R$ 4,5 bilhões no fundo.

Para Juliana Inhasz, professora de Economia do Insper, um dos pontos mais críticos é o risco de o Desenrola perder seu caráter excepcional.

Recomendamos para você

Com a realização de um segundo programa em menos de três anos após o primeiro, a especialista alerta que a população pode começar a encarar os programas de renegociação como uma retaguarda permanente.

“A gente tira um programa desse caráter excepcional e pode estar começando a criar um programa recorrente”, disse.

Ela ressalta que isso preocupa as instituições financeiras, pois pode gerar novas ondas de endividamento e inadimplência, além de elevar as taxas de juros até para os bons pagadores.

Juliana Inhasz avalia que a utilização do FGTS pode ser viável para pessoas muito endividadas, mas alerta que a medida reduz a segurança financeira futura do trabalhador.

“É como se a gente estivesse substituindo o consumo lá na frente pelo pagamento da dívida hoje”, afirmou.

Segundo ela, o objetivo é reativar o mercado e estimular a demanda via consumo em um momento de desaceleração econômica, mas o trabalhador acaba perdendo uma renda futura importante.

Outro ponto anunciado é a restrição ao acesso a sites de apostas esportivas por um ano para quem aderir ao Desenrola 2.0. Para Juliana Inhasz, é preciso cautela para não transformar as bets em bode expiatório do endividamento brasileiro.

“Seria importante que o governo mostrasse dados e estudos claros sobre realmente o papel das bets nesse aumento de endividamento”, defendeu.

Segundo ela, o problema estrutural do endividamento no Brasil está relacionado à baixa produtividade, à baixa renda e à falta de educação financeira — fatores que o programa não enfrenta diretamente.

“A gente continua fazendo um paliativo, tentando dar um tratamento para a consequência desse problema no curto prazo, mas ele continua existindo”, concluiu a economista.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.


Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/desenrola-pode-perder-carater-excepcional-diz-inhasz/