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Um dos momentos marcantes da minha vida foi quando recebi meu primeiro salário. Não era suficiente para me sustentar. Geralmente, o primeiro salário do primeiro emprego nunca é. Mas era o passo inicial para assumir o controle do meu destino. Lembro que entrei no supermercado e pensei: posso comprar o que quiser porque agora tenho dinheiro para isso. Meu dinheiro.
Fui, aos poucos, me tornando independente. Mudei de emprego muitas vezes, avancei na carreira, casei, tive filhos e, eventualmente, passei por tempos difíceis, inclusive um período de desemprego em que ia ao mercado com um aperto no estômago, com receio de que o dinheiro da conta não fosse suficiente para pagar as compras. É um sentimento terrível.
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Publicado em 2026-05-10 15:35:12Há quem recomende aos jovens que, ao escolher uma profissão, o importante é fazer o que se gosta. “Siga sua paixão” e o resto será consequência. Mas esse é um conselho equivocado que produz resultados graves, às vezes irrecuperáveis.
Um dos fatores críticos para a felicidade do ser humano é a capacidade de se sustentar e, em algum momento, sustentar uma família. Nenhuma “paixão” substituirá isso. Conheço pessoas que decidiram seguir carreiras em que fariam o que gostavam - na verdade, aquilo que achavam que gostavam - só para viver em permanente insegurança, instabilidade e dependência porque a ocupação que escolheram não gerava renda suficiente. Depois de algum tempo, a maioria não fazia mais o que gostava; eles faziam qualquer coisa para sobreviver.
É claro que uma vida feliz é resultado de muitas coisas e apenas algumas delas estão sob nosso controle. Mas as coisas que controlamos não podem ser negligenciadas. Poucas pessoas trabalham fazendo apenas o que gostam
A escolha de uma profissão é influenciada por vários fatores. Um deles precisa ser a capacidade que aquela profissão tem de colocar comida na mesa, porque ninguém vive sem comer. Ninguém vive sem uma casa para morar - o que exige pagamento de aluguel, IPTU e condomínio - ou sem eletricidade, água, roupas, plano de saúde, internet e tantas outras coisas pelas quais precisamos pagar. Se o pagamento não é feito com o dinheiro que ganhamos, ele precisará ser feito com dinheiro que pediremos emprestado a alguém. A alternativa é passar necessidades.
É claro que uma vida feliz é resultado de muitas coisas e apenas algumas delas estão sob nosso controle. Mas as coisas que controlamos não podem ser negligenciadas. Poucas pessoas trabalham fazendo apenas o que gostam. Gostar de uma atividade não é o fator principal a ser considerado na escolha de uma profissão - até porque é praticamente impossível para um jovem de 17 ou 18 anos, com pouca experiência, decidir o que quer fazer pelo resto da vida.
E nenhum jovem precisa assumir um compromisso assim. A vida é cheia de surpresas. Haverá oportunidades para correção de rumo e para mudar de uma atividade para outra, desde que a pessoa tenha se preparado para isso.
Eu defendo a ideia de que, ao escolher uma profissão, o jovem tenha em mente três critérios. Um deles é ter algum interesse por aquela atividade, claro. Mas é preciso manter a mente aberta e ampliar o alcance desse interesse potencial.
Outro critério - e esse é imprescindível - é que a atividade profissional permita manter o padrão de vida com o qual a pessoa está acostumada. Conheço um jovem que abriu mão da possibilidade de fazer medicina para cursar psicologia. A renda média de um psicólogo fica muito abaixo da renda média de um médico. Esse jovem - que não conhecia nenhuma das duas profissões - provavelmente teria se adaptado à medicina tanto quanto se adaptou à psicologia, com a diferença de que teria empregabilidade maior e uma expectativa de renda superior.
Outro jovem abandonou a engenharia para estudar música. Com essa escolha, ele impôs uma limitação tão grande à sua independência financeira que, aos quase 40 anos, ainda mora com os pais, sem qualquer perspectiva de conseguir pagar suas contas. Um engenheiro mediano tem muitas oportunidades de emprego devido à sua formação, enquanto um músico, para viver da música, precisa de esforço, talento e sorte acima da média.
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O terceiro critério que eu sugiro para a escolha de uma profissão é a flexibilidade diante de futuras e imprevisíveis oportunidades. Dizendo de outra forma: quem se gradua em engenharia, por exemplo, está capacitado a exercer uma grande variedade de atividades, não só em engenharia, mas na administração privada ou pública, no mercado financeiro, na área de vendas, no ensino e em outras áreas. O médico e o advogado podem trabalhar como funcionários de uma empresa ou abrir o próprio negócio. Um programador tem possibilidades infinitas. Mas alguém que escolhe graduação em história, geografia ou sociologia - por exemplo - provavelmente está limitando suas oportunidades profissionais ao trabalho como professor.
Há uma regra que parece simplória, mas que ajuda muito na escolha da carreira. A regra diz que quanto maior o esforço feito na universidade, melhores serão as oportunidades profissionais. Jovens, seduzidos pela teoria do “fazer aquilo que se gosta”, escolhem cursos “fáceis”. Além disso, muitos têm a convicção de que a sociedade lhes deve empregos divertidos e bem-remunerados, como um direito de nascença. Movidos por isso, acabam escolhendo cursos universitários cuja empregabilidade é baixa ou inexistente - não são muitas as empresas que precisam de sociólogos especializados em estudos de gênero ou historiadores com mestrado em “decolonialidade”. Mas todas as empresas precisam de administradores, programadores, advogados e contabilistas. E todo mundo irá, um dia, precisar de um médico.
Quem escolhe uma profissão bem-remunerada e com empregabilidade aumenta as chances de conquistar estabilidade e independência financeira, e pode aproveitar as oportunidades que a vida colocará à sua frente. Um engenheiro ou arquiteto que já tem casa própria e fez uma poupança pode, eventualmente, tirar um período sabático e se dedicar à literatura ou à música. Mas um licenciado em literatura ou um músico que passou a vida lutando para não morrer de fome, não consegue pensar em mais nada a não ser nas contas que vencem no final do mês.
Uma vida sem dinheiro não é rebelde nem romântica.
A primeira responsabilidade dos adultos é sustentar a si próprios e aos entes queridos que um dia formarão suas famílias.
Nada, absolutamente nada substitui a independência financeira. Sem ela, não existe felicidade real.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos