A Marcopolo registrou um resultado acima do esperado pelo mercado no primeiro trimestre de 2026.
Em entrevista exclusiva ao CNN Money, Pablo Motta, diretor financeiro da companhia, atribuiu o resultado positivo a um mix de produtos mais favorável
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Publicado em 2026-05-05 16:19:22“Nesse primeiro trimestre, estamos entregando veículos rodoviários mais pesados, de mais alto valor agregado versus aquilo que nós entregamos no ano passado”, afirmou.
Segundo ele, essa composição contribuiu para uma melhor rentabilidade, mesmo diante de uma queda de 1,3% na receita e de um recuo de 9% no volume de produção.
A diversificação geográfica também foi apontada como fator decisivo. A Marcopolo opera em sete outros países além do Brasil, e Motta destacou que eventuais perdas em um mercado podem ser compensadas por ganhos em outros.
“O resultado desse primeiro trimestre é uma soma das forças que a Marcopolo vem construindo ao longo desses últimos anos para estar diversificando essas fontes geradoras de resultados”, disse.
Apesar do bom desempenho geral, o volume de vendas recuou significativamente em vários mercados, com destaque para o México, maior praça internacional da empresa, onde as vendas caíram 80,7%.
O executivo relacionou essa queda ao impacto das tarifas impostas a diversos países, que frearam os investimentos direcionados ao México com fins de exportação para os Estados Unidos.
“Menor investimento, menor mobilidade, menor demanda de renovação de frota”, resumiu.
Ainda assim, Motta avaliou que a retração no México é pontual.
“O México é e vai continuar sendo um mercado muito relevante para a Marcopolo”, afirmou, acrescentando que a demanda reprimida deve se materializar assim que o cenário de acordos comerciais entre Canadá, Estados Unidos e México se tornar mais claro.
No curto prazo, a operação na Austrália tem compensado a ausência mexicana. Segundo ele, a carteira australiana já se estende até 2027, com pedidos de veículos de alto valor agregado e novas propulsões.
Juros elevados, diesel e o programa Móvel Brasil
Questionado sobre o impacto dos juros elevados no Brasil, Pablo Motta reconheceu que o custo financeiro entre 19% e 21% ao ano tem limitado a renovação de frotas, especialmente no segmento de ônibus urbanos.
Ele também citou o aumento do preço do diesel — associado ao cenário de conflito no Irã — como fator adicional de pressão sobre os operadores urbanos, que dependem de ajustes tarifários junto aos municípios.
No segmento rodoviário, no entanto, o encarecimento das passagens aéreas em razão do aumento do querosene de aviação tem favorecido os operadores de ônibus, que enxergam oportunidade de ampliar o transporte de passageiros.
Além disso, Pablo Motta destacou a publicação do programa Move Brasil Fase 2, que incluiu ônibus e implementos rodoviários entre os bens de capital beneficiados por redução no custo financeiro.
“Vamos ver os custos caindo para algo em torno de 13% e 14% ao ano”, projetou, representando uma queda de cerca de 7 pontos percentuais em relação às taxas vigentes.
Licitações públicas garantem carteira robusta
No campo das licitações públicas, Pablo Motta destacou dois contratos relevantes.
No programa Caminhos da Escola, a Marcopolo saiu exitosa com aproximadamente 600 ônibus e cerca de 6 mil unidades entre micros e urbanos, em parceria com uma montadora de chassis, de um total de mais de 7 mil ônibus licitados.
As entregas devem ter início no segundo semestre de 2026.
Já no contrato com o Ministério da Saúde, firmado no ano anterior, a empresa prevê a entrega de até 1,5 mil micro-ônibus executivos até o final do primeiro semestre de 2026, com potencial de chegar a 3 mil unidades.