Durante infestação, ratos mordem crianças e espalham doenças em Gaza
Surto ocorre em um momento em que a maior parte dos mais de dois milhões de habitantes da região foi deslocada
Ratos e parasitas estão se espalhando pelos acampamentos e tendas para palestinos deslocados em Gaza, mordendo os dedos das mãos e dos pés das crianças enquanto dormem, roendo pertences e disseminando doenças.
O surto ocorre em um momento em que a maior parte dos mais de 2 milhões de habitantes de Gaza foi deslocada, muitos vivendo agora em casas bombardeadas e tendas improvisadas montadas em terrenos baldios, à beira de estradas ou sobre as ruínas de prédios destruídos.
A poucos dias de seu casamento, Amani Abu Selmi, deslocada com sua família em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, descobriu que ratos haviam roído as roupas e bolsas de seu enxoval de casamento dentro da tenda esfarrapada onde estavam abrigados.
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Publicado em 2026-04-30 20:16:51Ela e sua mãe mostraram à Reuters os buracos que os roedores haviam feito em seu vestido, um tradicional vestido bordado em tom bordô, comum em casamentos palestinos.
"Toda a minha felicidade se foi, transformou-se em tristeza, que se transformou em desgosto - minhas coisas se foram, meu enxoval de casamento se foi", disse Abu Selmi, de 20 anos.
Um rato mordeu a mão e os pés do filho de 3 anos de Khalil Al-Mashharawi há algumas semanas, contou ele. Na última sexta-feira (24), ele próprio foi mordido.
Ele disse que agora ele e a esposa dormem em turnos para proteger os filhos e um ao outro de uma infestação que não conseguem controlar nem se defender, já que as armadilhas para roedores são praticamente ineficazes nas casas destruídas e nos acampamentos improvisados ??de Gaza.
"Eles atacam enquanto dormimos", disse Al-Mashharawi, de 26 anos, que vive com a família nas ruínas de sua casa no bairro de Tuffah, no norte de Gaza.
"Eles podem desaparecer por um ou dois dias antes de atacarem novamente, (forçando) a passagem por baixo das telhas do piso da casa".
Mohamed Abu Selmia, diretor do maior hospital de Gaza, o Al-Shifa, afirmou que espera que o problema se agrave com a chegada do verão e em meio à proibição israelense de materiais para controle de pragas, como veneno para ratos.
Israel restringe a entrada em Gaza de itens que, segundo o governo israelense, podem ter uso tanto militar quanto civil.
Como parte do que descreveu como um esforço conjunto com "todos os atores e parceiros internacionais" para lidar com o problema de saneamento, o COGAT, órgão militar israelense que controla o acesso a Gaza, informou que, nas últimas semanas, facilitou a transferência de cerca de 90 toneladas de materiais para controle de pragas e mais de mil ratoeiras para o enclave.
"Todos os dias, os hospitais registram casos de pacientes internados devido a incidentes relacionados a roedores, principalmente crianças, idosos e doentes", disse Abu Selmia.
Há também um temor generalizado sobre a disseminação de doenças perigosas, incluindo febre da mordida de rato, leptospirose e até mesmo peste, acrescentou.
"Ambiente de vida em colapso"
O cessar-fogo de outubro entre Israel e o Hamas não conseguiu aliviar o sofrimento dos palestinos em Gaza, onde os sistemas de esgoto e saneamento foram em grande parte destruídos por Israel e a ajuda humanitária está sujeita a restrições israelenses.
Israel alega preocupações com a segurança para justificar as restrições em Gaza, onde continua realizando ataques mortais, afirmando que sua ação se deve a ameaças do Hamas. Mais de 800 palestinos foram mortos desde outubro, e quatro soldados israelenses foram mortos no mesmo período.
Com a coleta de lixo praticamente interrompida, água contaminada e resíduos se acumularam perto dos acampamentos improvisados ??onde as famílias dormem, cozinham e se lavam. Isso criou um ambiente propício para a proliferação de roedores e parasitas, afirmam organizações humanitárias.
Reinhilde Van de Weerdt, representante local da Organização Mundial da Saúde, disse que houve cerca de 17 mil asos de infecções por roedores e ectoparasitas em Gaza até o momento neste ano.
"Esta é apenas a consequência infeliz, mas previsível, de pessoas que vivem em um ambiente habitacional precário", disse ela.