Os emplacamentos de veículos 100% elétricos registraram um crescimento explosivo de 175% no primeiro quadrimestre do ano. Em comparação com o mesmo período de 2025, o salto foi de 17.541 para 48.299 unidades, de acordo com os relatórios da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

Este avanço reflete uma nova realidade competitiva: os elétricos chineses deixaram de ser uma novidade entrante e agora se estabelecem como reais competidores no mercado, travando uma disputa de igual para igual, e frequentemente superando, as fabricantes ocidentais e tradicionais no país.

Os números

A trajetória dos licenciamentos ao longo do período revela um ritmo de aceleração constante e robusto, sem sinais de desaceleração. O ano começou forte em janeiro, registrando mais de 8.100 emplacamentos totais (salto de 125% em relação ao ano anterior), a BYD sendo responsável por 5.113 deles.

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Em fevereiro, o mercado manteve o fôlego ao emplacar mais 8.654 unidades. O mês marcou o maior índice de concentração da líder BYD, que colocou 6.759 carros nas ruas sozinha, mais de 78% do total dos elétricos vendidos no Brasil. Enquanto isso, a também chinesa Geely e a norte-americana GM travavam um empate técnico na segunda posição, com pouco mais de 400 unidades cada.

A verdadeira explosão de demanda concentrou-se na segunda metade do quadrimestre, quando o mercado brasileiro rompeu marcas históricas. Em março, as vendas superaram a barreira das dezenas de milhares, atingindo aproximadamente 14 mil emplacamentos, um aumento de 193% sobre o mesmo período do ano anterior.

Em abril, o número de licenciamentos mais que dobrou em comparação com janeiro, registrando 17.468 elétricos emplacados (aumento de 273% ante abril de 2025). Nesse encerramento de período, a BYD isolou-se ao superar a marca de 10 mil emplacamentos mensais, enquanto a Geely atingiu seu melhor resultado com 3.761 unidades, consolidando o volume recorde do setor.

A quebra de paradigma

O avanço rápido das montadoras chinesas transformou a dinâmica das concessionárias brasileiras. As montadoras tradicionais, algumas ativas no país há mais de um século, viram suas estratégias de eletrificação serem desafiadas pela agressividade comercial, pelo volume de entrega e pelo pacote tecnológico oferecido pelas rivais da China.

O consumidor brasileiro, historicamente conservador na troca de marcas, está superando a barreira da desconfiança. Hoje, a briga por market share no segmento de elétricos ocorre em termos de igualdade técnica e de reputação, forçando a indústria tradicional a acelerar investimentos locais e revisar tabelas de preços para não perder competitividade no ambiente urbano.

Hegemonia BYD

É inegável que no epicentro dessa transformação está a BYD. A fabricante não apenas lidera o segmento, mas estabeleceu uma dominância esmagadora sobre todas as suas concorrentes no primeiro quadrimestre de 2026. Do total de 48.299 veículos elétricos emplacados no país de janeiro a abril, a BYD respondeu por 32.198 unidades, o que representa cerca de dois terços de todo o mercado de elétricos no Brasil.

Essa força de branding e capilaridade de vendas ficou evidente em fevereiro, quando a marca atingiu seu pico de participação mensal, abocanhando mais de 78% de todos os emplacamentos do período. A BYD continua se descolando dos concorrentes e ditando o ritmo e o volume de todo o setor nacional.

Um novo desenho do mercado nacional

A eletrificação no Brasil atingiu um ponto de maturação relevante. Enquanto a BYD se isola nas vendas, marcas como Geely expandem seu portfólio consistentemente e gigantes tradicionais como a GM estruturam contraofensivas sólidas com novos lotes e modelos. Para o restante de 2026, a tendência apontada pelos relatórios da Fenabrave é de acirramento na disputa tecnológica, com o mercado nacional consolidado como o principal polo de disputa automotiva da América Latina.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/auto/eletricos-disparam-175-e-crescem-no-1o-quadrimestre-de-2026/