Praça dos Três Poderes e Esplanada dos Ministérios, em Brasília. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

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Depurar o STF não basta. É preciso depurar o Brasil. Não dá para imaginar um caminho decente para o país se Lula partir para um quarto mandato, cada vez mais improvável, aliás (e ainda bem). É fundamental que a campanha eleitoral seja justa, equilibrada, o que não tivemos em 2022. Que todo mundo que for às urnas lembre-se de que os últimos quatro anos nos jogaram novamente num buraco profundo. Tudo o que nunca deu certo, em lugar nenhum do mundo, em época nenhuma, voltou a ser vendido como solução para todos os problemas. Não dá mais. Ninguém pode suportar mais isso.

Ser refém das maquininhas é algo que ainda não foi resolvido. Talvez a partir de uma nova legislatura, em 2027, seja possível rever nosso sistema de votação e apuração dos votos. Não apenas para que escapemos de armadilhas, mas como forma de dar mais legitimidade e credibilidade aos vencedores. Que sejam vencedores de fato. E nisso nos voltamos às eleições legislativas, para deputado federal e senador. Aguardamos ansiosamente um Congresso formado não por politiqueiros, mas por políticos realmente preocupados com o Brasil e com os brasileiros. Que eles entendam as questões primordiais para a nação e trabalhem arduamente pelo que é certo, pelo que os tempos já vividos nos indicam.

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Qualquer candidato ao Senado só pode ser levado a sério se considera que há provas sobradas para a abertura de processo de impeachment de pelo menos três ministros do Supremo

Nenhum candidato pode ser levado a sério se não defender que as leis voltem a ser cumpridas. A Constituição, principalmente. Se o sujeito não se levanta na campanha contra todas as injustiças praticadas ao longo, pelo menos, dos últimos sete anos, deve ser desconsiderado. Se ele não deixa claro que o 8 de Janeiro não foi uma tentativa de golpe de Estado, deve ser desprezado e denunciado, na medida do possível, a outros eleitores. Aqueles que não protestam contra a infinidade de abusos, arbítrios e ilegalidades praticados por ministros do Supremo devem ser descartados. Aqueles que não defendem a apuração profunda sobre a ligação de magistrados com empresários e banqueiros envolvidos em falcatruas devem ser rejeitados.

Nesse sentido, qualquer candidato ao Senado só pode ser levado a sério se considera que há provas sobradas para a abertura de processo de impeachment de pelo menos três ministros do Supremo. Que a câmara alta do Congresso Nacional – que será renovada em dois terços – seja formada em sua maioria por gente decente. O Brasil corre sério risco se a presidência do Senado for de novo ocupada por um mequetrefe da laia de Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco. Só será possível botar o país nos eixos se o presidente do Congresso recuperar o sistema de freios e contrapesos, botá-lo para funcionar. Se o Brasil foi tomado por tiranos, isso se deu porque desde 2019 quem comandou o Senado permitiu, com omissão, prevaricação e cumplicidade.

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E ainda podemos torcer para que Lula não consiga indicar alguém para a vaga deixada no Supremo por Luís Roberto Barroso. É pouco provável que ele se atrapalhe de novo, como no caso de Jorge Messias, mas não custa rezar por isso. Seria lindo ver outro indicado pelo petista ser rejeitado, ou logo na sabatina, ou no plenário. E, tendo como novo presidente alguém não afeito a tiranias, que ele indique ao STF para as vagas que serão abertas com as aposentadorias de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, se não juízes de verdade, pessoas que tenham verdadeiramente notável saber jurídico e reputação ilibada. É assim, a depuração do Brasil pode parecer quase um milagre, mas milagres, sim, acontecem.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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