Apoio do PL a presidente da Alesp fecha apoio da família Bolsonaro sem ex-ministro do Meio Ambiente. (Foto: Gage Skidmore/Bruno Spada / Câmara dos Deputados)

Ouça este conteúdo

O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) vêm travando uma briga pública após a escolha da chapa do PL ao Senado deixar de fora o ex-ministro do governo de Jair Bolsonaro (PL).

"Você se mandou para os Estados Unidos porque você quis. Você só inviabilizou o seu retorno para o Brasil depois que você já estava lá nos Estados Unidos falando um monte de merda, inclusive trabalhando contra o Brasil nessa história de tarifaço. O que eu passei como ministro você não passou nem de longe", afirmou Salles, em entrevista ao podcast IronTalks, neste sábado (9).

Recomendamos para você

Em resposta, Eduardo afirmou que o parlamentar estaria atuando como "biruta de vento político" e opinou que esta não seria a estratégia política ideal para que o político consiga "se manter dentro do tabuleiro político com mandato".

VEJA TAMBÉM:

Pano de fundo: disputa pelo Senado

As eleições de 2026 terão como vantagem aos partidos a possibilidade de renovar duas das três cadeiras de cada estado. O número, no entanto, tem se mostrado pequeno diante dos pretendentes aos cargos em ambos os lados do espectro.

No caso da direita paulistana, o partido de Valdemar Costa Neto optou pelo apoio ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), em uma estratégia que teria como objetivo ceder o posto a Eduardo - como primeiro suplente - para assumir um ministério em uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no pleito presidencial. A outra vaga já estava reservada ao deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP).

A esquerda enfrenta a mesma dificuldade: enquanto a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB) já é dada como certa para a primeira cadeira, a segunda é alvo das pretensões tanto da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva quanto do ex-ministro do Empreendedorismo Márcio França.

VEJA TAMBÉM:

Salles acusa Eduardo de vender apoio a Prado

Presidente da Alesp deve disputar o Senado com apoio de Eduardo Bolsonaro. (Foto: Bruna Sampaio/Alesp)

Salles admitia a possibilidade de não concorrer, mas com uma condição: que o escolhido do PL fosse o vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL). Diante da controvérsia, ele aproveitou para associar a escolha por Prado a um suposto pagamento milionário.

O deputado diz que a informação vem de conversas de bastidores da Câmara e que espera que não seja verdadeira. Mesmo assim, ele sobe o tom contra a escolha de um "nome do Valdemar" para compor a chapa. Em resposta, Eduardo o desafia a provar as alegações.

"Eu quero que você prove, Salles, que tem algum acordo financeiro entre eu e o André do Prado. Eu quero que você diga onde é que está sua suspeita. Eu quero que você prove o que está falando, porque você está falando que sou corrupto, você está falando que eu sou vendido", afirma.

VEJA TAMBÉM:

Parlamentar acusa "turma do Valdemar" de corrupção no DNIT

Ainda de acordo com o parlamentar, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), teria recusado tanto uma filiação ao PL quanto a inclusão de Prado como seu vice pelo mesmo motivo: por ter, enquanto era diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), feito uma "faxina na corrupção" do órgão, corrupção esta que seria supostamente perpetrada pelo PL.

"A turma do Valdemar é que roubava no Ministério dos Transportes e no DNIT. O Tarcísio foi lá e fez uma limpa", disse Salles. O deputado não apresentou provas, mas sugeriu que o público pesquisasse palavras-chave que levariam a matérias sobre o caso. Durante uma entrevista à CNN Brasil, Valdemar disse que irá processar o ex-ministro pela fala.

Banco do Brasil não sabe como explicar mau desempenho