A sigla em inglês para oferta pública inicial de ações, IPO, é o evento pelo qual uma empresa faz sua estreia na Bolsa de Valores. O mecanismo pode ocorrer de duas formas: a companhia emite novas ações e as vende a investidores interessados, ou acionistas já existentes vendem suas participações no mercado. Gabriel Monteiro analisa e explica como funcionará o IPO ao CNN Novo Dia.
Após quase cinco anos sem nenhum IPO no Brasil, o mercado financeiro acompanhou de perto a entrada da Compass na Bolsa de Valores. A empresa, pertencente ao grupo Cosan, atua na distribuição e comercialização de gás natural e controla a Congás no estado de São Paulo — responsável pelo fornecimento de gás encanado a residências e indústrias na região.
Como funciona o processo de precificação
No processo de um IPO, a empresa apresenta ao mercado uma faixa de preço para suas ações, com um valor mínimo e um máximo. Os investidores avaliam se a companhia vale o que está sendo pedido e decidem quanto estão dispostos a pagar. No caso da Compass, a faixa estipulada foi de R$ 28 a R$ 35 por ação. O preço final fixado foi de R$ 28 — o piso da oferta —, o que indica que, embora houvesse demanda pelas ações, o mercado não se mostrou disposto a pagar mais pelo ativo. Ainda assim, a operação resultou em uma arrecadação de R$ 2,8 bilhões.
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Publicado em 2026-05-11 14:00:01Gabriel Monteiro destacou um aspecto relevante sobre o destino dos recursos captados. “Normalmente, IPOs bons no mercado são aqueles em que a empresa vende ações, emite novas ações, coloca dinheiro dentro do caixa da empresa para fazer investimentos, para comprar uma outra concorrente, para montar um novo projeto”, explicou.
No entanto, esse não é o caso da Compass. Os R$ 2,8 bilhões arrecadados irão diretamente para o caixa da Cosan, que encerrou o ano anterior com R$ 26 bilhões em dívidas. A controladora já enfrentou outros desafios financeiros, como a recuperação extrajudicial da Raizen e a venda de participação que detinha na Vale.
Perspectivas para novas janelas de IPO
O mercado brasileiro vem ensaiando a reabertura de janelas de IPO desde 2021 — expressão utilizada para descrever períodos em que múltiplas empresas abrem capital na Bolsa de Valores simultaneamente. Contudo, Monteiro avaliou que o IPO da Compass provavelmente não será suficiente para consolidar essa retomada.
Segundo ele, a taxa de juros elevada continua sendo um obstáculo significativo: quando os juros estão altos, o valor presente dos lucros futuros projetados para uma empresa é reduzido, tornando os ativos de renda variável menos atrativos em comparação à renda fixa. “A gente não chegou nesse meio ponto em que é agradável para os dois, os acionistas e também a empresa, para começarmos a ter IPO”, afirmou. A expectativa é que uma queda consistente nos juros possa criar condições mais favoráveis para novas estreias na Bolsa no futuro.