A Coalizão de Combate aos Supersalários, grupo formado por organizações da sociedade civil ligadas à transparência e gestão pública, afirmou que órgãos do Judiciário e do Ministério Público vêm criando brechas para contornar a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que limitou os chamados “penduricalhos”.

Em nota divulgada na sexta-feira (8), entidades que integram a coalizão, como República.org, Transparência Internacional Brasil e Movimento Pessoas à Frente, afirmam haver uma “multiplicação” de benefícios, verbas indenizatórias e mecanismos de flexibilização da tese fixada pelo Supremo em março deste ano.

O documento foi divulgado no mesmo dia em que o Supremo publicou o acórdão do julgamento realizado em 25 de março, quando os ministros definiram critérios para o pagamento de verbas indenizatórias no Judiciário e no Ministério Público.

Recomendamos para você

Na ocasião, a Corte limitou a soma dessas parcelas autorizadas a até 35% do teto constitucional, hoje fixado em R$ 46.366,19, e manteve a possibilidade de pagamento de um adicional por antiguidade na carreira, também limitado a 35% do subsídio.

No julgamento, o STF também restringiu a criação de novos benefícios por resoluções administrativas e determinou que apenas verbas indenizatórias previstas em lei federal de caráter nacional podem ficar fora do teto constitucional.

Segundo a coalizão, no entanto, após a decisão do Supremo, tribunais e órgãos públicos passaram a ampliar benefícios, reclassificar parcelas remuneratórias e criar novas formas de pagamento fora do teto.

A nota cita como exemplos a ampliação, posteriormente suspensa, do auxílio-saúde na AGU (Advocacia-Geral da União), novas gratificações aprovadas pela Justiça Militar e discussões no TCU (Tribunal de Contas da União) sobre a exclusão de cargos comissionados do cálculo do teto constitucional.

O grupo também elogiou decisão conjunta publicada nesta semana pelos ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, que reforçou a vedação à criação de verbas fora das hipóteses autorizadas pelo STF.

Cerco aos penduricalhos

No mesmo dia da publicação do acórdão, os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes divulgaram uma nova decisão conjunta reforçando o cerco do STF aos chamados “penduricalhos”.

Os despachos proíbem qualquer revisão de cargos, reclassificações de comarcas, novas gratificações de acúmulo ou normas sobre plantões. O objetivo é evitar “dribles” à decisão do Supremo. 

Os ministros reforçaram ainda que apenas o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) podem regulamentar verbas indenizatórias, para garantir que as regras sejam iguais em todo o país e evitar que cada tribunal crie suas próprias vantagens.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/entidades-acusam-dribles-a-decisao-do-stf-sobre-supersalarios/