Mesmo com recordes recentes na produção de petróleo e gás, o Brasil ficou estagnado na exploração de novas fronteiras entre 2018 e 2024, aumentando os riscos de um declínio acentuado no volume de barris extraídos ao longo da próxima década.
Nesse período, as petroleiras no Brasil perfuraram um total de 37 poços em busca de novos reservatórios de hidrocarbonetos. Nenhum deles, entretanto, ocorreu em áreas de fronteira. A maioria se concentrou em bacias conhecidas, como Santos e Campos.
Enquanto isso, vizinhos sul-americanos como Guiana e Suriname abriram 75 novos poços de 2018 a 2024, sendo 62 em fronteiras exploratórias.
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Publicado em 2026-07-06 08:34:30No caso do sul e do oeste do continente africano, que engloba países como Angola e Namíbia, foram 72 perfurações no total e 28 em áreas de fronteira.
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A Noruega, normalmente associada a campos maduros, teve 143 novos poços durante esse período, dos quais 32 em fronteiras exploratórias.
Os dados foram levantados pela Abespetro (Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo) e pela consultoria norueguesa Rystad Energy.
Novas fronteiras exploratórias são bacias com alto potencial para descobertas de petróleo e gás, mas sem declaração de comercialidade de suas áreas — ou seja, a existência de um comunicado oficial de que as reservas encontradas são economicamente viáveis para produção regular.
O Brasil tem hoje duas grandes fronteiras: a Margem Equatorial (composta pelas bacias sedimentares da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar) e a Bacia de Pelotas (no sul do país).
O presidente-executivo da Abespetro, Telmo Ghiorzi, afirma que, sem perfurações exploratórias em novas fronteiras, a produção petrolífera certamente vai regredir na próxima década.
“É uma bicicleta retardada. Quando se deixa de pedalar, você cai na hora. Na indústria do petróleo, você vai depois de algum tempo, mas também cai”, diz Ghiorzi.
Hoje o país produz cerca de 4,3 milhões de barris de petróleo por dia. O PDE (Plano Decenal de Energia) prevê que a produção deve crescer até um pico de 5,1 milhões de barris diários entre 2032 e 2033, mas começaria a cair logo em seguida, caso não haja a entrada de novas frentes, como a Margem Equatorial.
Para o executivo da Abespetro, mais do que a paralisação dos leilões em boa parte da década passada, enquanto o país discutia um novo marco legal para explorar o pré-sal, há um impasse no licenciamento ambiental que impede o país de expandir a exploração de petróleo em novas fronteiras.
Ele lembra que o Ibama demorou 12 anos até conceder a licença ambiental para uma perfuração exploratória na Foz do Amazonas — o poço de Morpho — pela Petrobras.
Em 2025, embora o estudo feito pela Abespetro e pela Rystad Energy não tenha captado dados para uma comparação internacional, o Brasil teve apenas um poço perfurado em nova fronteira — uma exploração em terra, feita pela Eneva, na Bacia do Parnaíba.
No fim do ano passado, a Petrobras finalmente começou a perfurar no bloco FZA-M-59, nas águas territoriais do Amapá.
“As petroleiras têm dinheiro, têm vontade, têm demanda e têm tecnologia disponível. O que trava tudo é uma tensão mal resolvida entre o Ministério de Minas e Energia e o Ministério do Meio Ambiente”, avalia Ghiorzi.
Em entrevista no mês passado à revista Brasil Energia, o diretor da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) apontou a necessidade de maior oferta em áreas de fronteira e disse que há cerca de 1,4 mil blocos represados para licitação.
“A gente tem 1,4 mil blocos represados, aguardando parecer ambiental e manifestação conjunta. São mais 1,4 mil blocos que poderiam estar sendo oferecidos [nos leilões]”, afirmou Pietro Mendes.