O ex-presidente pró-Rússia Rumen Radev venceu as eleições parlamentares da Bulgária com uma vitória esmagadora, segundo resultados oficiais divulgados nesta segunda-feira (20), derrotando forças políticas que dominavam o país há muito tempo e possivelmente aproximando a Bulgária, membro da União Europeia e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), de Moscou.
O resultado, que superou as previsões das pesquisas de opinião, é um dos melhores de um único partido em uma geração e pode pôr fim, por ora, à instabilidade crônica que levou a oito eleições em cinco anos.
O partido Bulgária Progressista, de Radev, obteve 44,7% dos votos após a apuração de 97,52% das urnas, o que sugere que poderia governar sozinho, mas ele não descartou uma coalizão com um grupo pró-europeu ou um partido menor.
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Publicado em 2026-04-20 11:33:31A votação do Partido Progressista Bulgária colocou-o muito à frente da coligação pró-europeia Continuamos a Mudança-Bulgária Democrática (PP-DB), com 12,8%, e do partido GERB, que dominou o cenário político por muito tempo e é liderado pelo ex-primeiro-ministro Boyko Borissov, com 13,4%.
Eurocético e ex-piloto de caça, opositor ao apoio militar à guerra da Ucrânia contra Moscou, Radev renunciou à presidência da Bulgária, um cargo em grande parte cerimonial, em janeiro, para concorrer às eleições parlamentares após protestos em massa terem forçado a queda do governo anterior em dezembro.
Ele surfou na onda de frustração com a instabilidade política na nação balcânica de 6,5 milhões de habitantes, onde os eleitores estão fartos da corrupção e dos partidos tradicionais que dominam a política há décadas.
“Agora existe uma oportunidade para que as mudanças que as pessoas tanto esperam se tornem visíveis”, disse Evelina Koleva, gerente de uma empresa de marketing digital em Sófia, capital do país, à agência de notícias Reuters.
Questões sobre política externa
Tanto a União Europeia quanto a Rússia comemoraram a vitória de Radev.
Em uma publicação na rede social X, Antonio Costa, presidente do Conselho Europeu, que reúne os governos nacionais da União Europeia, escreveu: “Parabéns a Rumen Radev por sua vitória expressiva… Aguardo com expectativa a oportunidade de trabalhar com você no #EUCO em nossa agenda comum para uma Europa próspera, autônoma e segura.”
O Kremlin afirmou estar encorajado pelo desejo de Radev de resolver as questões com a Rússia por meio de negociações pragmáticas.
A campanha de Radev foi comparada à do ex-primeiro-ministro húngaro pró-Kremlin, Viktor Orbán, quando este falou sobre a melhoria das relações com Moscou e a retomada do livre fluxo de petróleo e gás russos para a Europa.
Radev também criticou a União Europeia por depender excessivamente de energias renováveis.
No entanto, Radev tem sido vago em relação às suas políticas e ainda não está claro o quanto ele mudará a política externa da Bulgária, um país banhado pelo Mar Negro, no flanco sudeste da UE, que aderiu à zona do euro em janeiro — uma decisão que Radev criticou.
Analistas não esperam que ele tente reverter a adoção do euro pela Bulgária ou bloquear pacotes de ajuda mais amplos da UE para a Ucrânia.
No domingo (19), Radev afirmou que estaria disposto a trabalhar na reforma judicial com o PP-DB e que a Bulgária “faria esforços para continuar em seu caminho europeu”.
Preocupações com o custo de vida
Antes da votação de domingo, o ministro interino do Interior da Bulgária, Emil Dechev, afirmou que as autoridades avançaram no combate à fraude eleitoral, com mais de 400 pessoas detidas sob suspeita de compra de votos e outras irregularidades – um aumento em relação às 72 prisões por crimes semelhantes nas últimas eleições, em 2024.
A Bulgária se desenvolveu rapidamente desde a queda do comunismo em 1989 e ingressou na União Europeia em 2007. A expectativa de vida aumentou consideravelmente, o desemprego é o mais baixo da UE e a economia conta com maior proteção desde a adoção do euro.
Mas o país fica atrás dos demais países da UE em outros indicadores.
O custo de vida tornou-se um problema particular desde que a Bulgária aderiu ao euro. O governo anterior caiu em meio a protestos contra um novo orçamento que propunha aumentos de impostos e contribuições para a segurança social.
“O principal desafio do país é a crise econômica e a crise demográfica”, afirmou Tihomir Bezlov, pesquisador sênior do Centro de Estudos da Democracia em Sófia. “Não parece haver muitas ideias consensuais no campo vencedor em relação a nenhuma dessas questões.”