Um estudo da entidade CLP (Centro de Liderança Pública) avalia que a oferta de crédito, especialmente do modelo consignado, é um dos fatores principais de causa do alto endividamento da população brasileira.
Para a CLP, embora os empréstimos consignados – tanto públicos, como os do INSS, quanto privados – sejam um tipo de crédito mais barato e que diminuem os custos com juros, o acesso “indiscriminado e fácil” fez com que o “volume total” das dívidas tenha crescido muito.
A análise destaca, ainda, que a busca por crédito se tornou um “modelo econômico” no Brasil, se tornando, segundo a CLP, a única opção de manter a atividade econômica aquecida e o consumo das famílias em alta.
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Publicado em 2026-05-08 16:15:14Em entrevista a CNN Brasil, o presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Isaac Sidney, afirmou que o Novo Desenrola Brasil ajuda a dar alívio financeiro às famílias endividadas e recuperar a capacidade de crédito dos consumidores, mas admite que o programa não resolve problemas estruturais do endividamento no país.
Sidney também avaliou que a abertura promovida pelo BC (Banco Central) ampliou a concorrência no setor financeiro, mas reconheceu que esse avanço contribuiu para um aumento do endividamento de pior qualidade, especialmente em linhas de crédito pessoal sem garantia e com juros mais altos.
A CLP criticou, ainda, a forma pela qual o governo federal gerencia os gastos públicos, alegando que a gestão “financia suas despesas altas com mais arrecadação”. Com isso, há um estímulo ao consumo – o que gera mais tributos recolhidos – dependente de tomada de crédito.
A entidade que estuda contas públicas pontua também que o Desenrola 2.0 – novo programa federal para renegociação de dívidas lançado no início desta semana – tem como ponto positivo a substituição dos débitos por outros com taxas de juro mais baixas, mas que isso “não resolve o problema principal”.
“Trocar dívidas caras por outras um pouco mais baratas, como o governo deve tentar fazer com o Desenrola Brasil, ou criar linhas de crédito com garantia pública, trabalhista ou salarial pode ajudar no curto prazo, mas não resolve o problema principal. Para reduzir a necessidade de juros altos, o país precisa enfrentar a origem do desequilíbrio fiscal e do excesso de dependência do crédito”, diz a CLP.
De acordo com a entidade, o montante concedido por meio de crédito consignado vem crescendo no Brasil. Dados da CLP indicam que em março houve um aumento de 52% nos valores tomados por essa modalidade – subindo de R$ 7,146 bilhões em fevereiro para R$ 10,864 bilhões no mês seguinte.
“O crédito pode ser positivo para financiar investimentos, enfrentar períodos difíceis ou substituir dívidas mais caras, mas perde esse papel quando passa a sustentar um nível de consumo que a renda já não acompanha”, completa o levantamento da CLP.
Recordes no endividamento
Pelo quarto mês consecutivo, o índice de endividamento no Brasil atingiu o maior nível já registrado. A proporção de famílias com dívidas, que havia chegado a 80,4% em março subiu para um novo recorde de 80,9% em abril.
Os dados são da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Em abril de 2025, esse porcentual era de 77,6%.
A pesquisa considera como dívidas as contas a vencer nas modalidades cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa.
Afatia de famílias inadimplentes subiu ligeiramente de 29,6% em março para 29,7% em abril. Essa proporção era de 29,1% em abril de 2025.
Entre os inadimplentes, 49,5% relataram terem débitos vencidos há mais de 90 dias.
“O tempo médio de atraso estabilizou-se em 65,1 dias pelo terceiro mês seguido, refletindo melhora da renda média que ajuda na regularização financeira”, apontou a CNC.