Ferramenta inédita na cultura do café é capaz de calcular o balanço de emissões de carbono na cafeicultura – Crédito: Divulgação. Pesquisadores do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp, concluíram o desenvolvimento de uma ferramenta inédita na cultura do café que é capaz de calcular o balanço de emissões de carbono na cafeicultura. A solução foi criada em parceria com a Cooxupé e impulsiona um avanço na mensuração de práticas sustentáveis no campo. A ferramenta, desenvolvida ao longo de três anos, permite quantificar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e o sequestro de carbono em todas as etapas da produção, desde o uso de fertilizantes e combustível em maquinários até os processos de beneficiamento. Com esses dados, o produtor pode ajustar o manejo, reduzir impactos ambientais e atender às exigências de sustentabilidade do mercado, sem comprometer produtividade e rentabilidade. A pesquisadora Renata Gonçalves, coordenadora do projeto, afirma que o modelo é o primeiro desenvolvido especificamente para a cultura cafeeira. Segundo ela, a metodologia segue padrões internacionalmente reconhecidos, como o GHG Protocol, referência global para inventários de emissões. “A adaptação à realidade da cafeicultura exigiu coleta detalhada de dados em campo, incluindo análises do carbono armazenado no solo em diferentes idades de lavoura, condições de relevo e sistemas de manejo”, explica. Segundo o pesquisador João Paulo da Silva, o cruzamento dessas informações com o banco de dados históricos da Cooxupé permitiu estabelecer parâmetros mais precisos sobre a variação do carbono no solo das propriedades cafeeiras. MANEJO SUSTENTÁVEL PODE IMPACTAR ATÉ A QUALIDADE DA BEBIDA Os pesquisadores destacam que práticas sustentáveis também podem refletir na qualidade do café. O aumento da matéria orgânica no solo melhora a disponibilidade de nutrientes para as plantas, reduz a necessidade de adubação e pode favorecer o desenvolvimento de frutos com melhor padrão sensorial. Além disso, solos mais equilibrados contribuem para maior resiliência diante de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, geadas e períodos prolongados de seca, cada vez mais frequentes nas regiões produtoras. SUSTENTABILIDADE COMO EXIGÊNCIA DE MERCADO Além da preocupação ambiental, a solução desenvolvida atende a uma demanda crescente do mercado internacional. Isso porque compradores têm exigido cada vez mais comprovações de práticas sustentáveis e estratégias de mitigação de emissões para manter relações comerciais. Dessa forma, a ferramenta gerada pela pesquisa integra o Protocolo de Sustentabilidade Gerações, programa da Cooxupé voltado à promoção de boas práticas econômicas, sociais e ambientais. “A mensuração das emissões é um passo fundamental para evoluirmos em sustentabilidade, permitindo que o produtor tenha dados concretos para tomada de decisão e fortalecimento da sua atuação no mercado”, destaca Natalia Fernandes Carr, gerente ESG da cooperativa.
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