O Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Fibromialgia, celebrado nesta terça-feira (12), acende luz sobre uma condição que ainda traz muitas dúvidas sobre o diagnóstico. A data serve para fomentar o debate e também para incluir a temática em agendas de saúde a fim de ajudar quem lida com o problema.
A fibromialgia é uma doença reumática que atinge 3% da população brasileira, sendo sua maioria mulheres, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia. Os sintomas são difusos, por isso há tanta dificuldade para chegar a um tratamento adequado com a ajuda de profissionais.
Segundo Thiago Ferreira, médico, coordenador de Reumatologia da Afya Educação Médica e professor na unidade Ribeirão Preto, a doença afeta diretamente a rotina de quem lida com a situação.
Recomendamos para você
Atendimentos por 'ossos de vidro' cresce na região de Piracicaba impulsionados por diagnóstico precoce, diz médico
Dados estaduais apontam que casos da doença do "osso de vidro" têm se tornado mais comuns ...
Publicado em 2026-05-12 15:25:12
SUS atualiza protocolo de asma com novas regras para diagnóstico e tratamento
SUS atualiza protocolo de asma com novas regras para diagnóstico e tratamento Adobe Stock U...
Publicado em 2026-05-12 09:00:33
Fibromialgia afeta milhões de brasileiros e ainda enfrenta preconceito
Dor constante, fadiga extrema e sono não reparador fazem parte da rotina de pacientes que convivem ...
Publicado em 2026-05-12 06:15:43“A fibromialgia se caracteriza principalmente por dor crônica e difusa pelo corpo, geralmente associada a cansaço intenso, sono não reparador, sensação de rigidez, formigamentos, dor de cabeça e dificuldade de memória ou concentração. É comum o paciente dizer: “eu durmo, mas acordo cansado”. A doença não causa deformidades nem destruição das articulações, mas pode comprometer muito a qualidade de vida”, declarou ele à CNN Brasil.
Ferreira explicou que a demora para chegar a um diagnóstico na maioria dos casos se deve ao fato da condição não ser identificada através de exames cotidianos.
“A fibromialgia não aparece em exames de sangue ou de imagem. O diagnóstico é clínico, baseado na história do paciente, no padrão da dor e na exclusão de outras doenças que podem causar sintomas parecidos, como hipotireoidismo, doenças inflamatórias, anemia, distúrbios do sono e depressão. Além disso, por muito tempo a dor da fibromialgia foi subestimada, o que atrasou o reconhecimento adequado da condição”, informou o médico.
Tratamento
Ao contrário de doenças que são tratáveis com remédios, a fibromialgia depende de diversas manobras para que os pacientes tenham alívio dos sintomas. “O tratamento mais importante é não medicamentoso: atividade física regular, especialmente exercícios aeróbicos e fortalecimento, educação sobre a doença, melhora do sono e manejo do estresse”, apontou Thiago Ferreira.
Ele seguiu: “Medicamentos podem ser usados em alguns casos para modular a dor, melhorar o sono ou tratar ansiedade e depressão associadas, mas não devem ser vistos como solução isolada. O melhor resultado costuma vir de um plano individualizado e multidisciplinar. A Sociedade Brasileira de Reumatologia também destaca o exercício físico como parte central do tratamento”.
Legislação
Em 2025, foi sancionada a Lei 15.176/2025, que reconhece a fibromialgia como deficiência no Brasil. Para o reumatologista, a medida é um avanço, mas ainda há muitos pontos a se ajustar em termos de conscientização.
“A Lei nº 15.176/2025 trouxe um avanço importante ao reconhecer a fibromialgia como condição que pode configurar deficiência, com avaliação biopsicossocial e maior garantia de acesso a direitos, atendimento multidisciplinar e políticas públicas. Isso ajuda a reduzir a invisibilidade da doença. Mas ainda há um longo caminho: é preciso transformar a lei em acesso real, com diagnóstico correto, acolhimento, tratamento estruturado e capacitação das equipes de saúde”, declarou o profissional.