Geopolítica redefine cibersegurança e expõe novas estratégias, diz pesquisa
Tensões globais elevam riscos cibernéticos, pressionam investimentos e expõem vulnerabilidades de empresas e do Brasil no cenário digital
O cenário de crises geopolíticas deu nova luz ao papel da proteção de dados e informações nas estratégias de grandes, médias e pequenas empresas.
De acordo com uma pesquisa realizada pela TLD – empresa de tecnologia especializada em cibersegurança – a piora das tensões ao redor do mundo gera uma percepção de risco em ciberataques para 64% das empresas entrevistadas.
Além disso, a companhia apontou que em meio às fragilidades, os investimentos em segurança cibernética podem ter um corte de até 13%, tornando as intituições possíveis alvos para invasão e roubo de dados.
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Publicado em 2026-04-26 12:25:30Ao CNN Money, o head de Cibersegurança da TLD, Rafael Dantas aponta que o tema deixou de ser uma questão técnica, passando a ocupar posição estratégica nas decisões corporativas, impactando investimentos, prioridades e até a soberania digital dos países.
“Geopolítica deixou de ser só um pano de fundo e passou a ser um fator direto na decisão de cibersegurança”, diz.
Segundo ele, esse cenário tem levado organizações a revisarem suas estratégias. Dados de mercado indicaram também que mais de 60% das empresas já alteraram seus planos de segurança — seja por redução de orçamento ou mudanças de direcionamento.
Estratégias e a engenharia social
Em tempos de incertezas que encarecem bens e serviços, muitas vezes é necessário que uma reestruturação seja feita, apesar da menor capacidade financeira das empresas para investir na segurança cibernética.
Dantas explica que o movimento não se resume a supensão dos recursos. Para o especialista, em muitos casos, trata-se de uma redistribuição baseada em risco.
“Não é só sobre cortes, é sobre entender que as organizações passam a balizar suas estratégias considerando fatores geopolíticos”, afirma.
Para além dos métodos que possam previnir os riscos, a boa leitura do cenário e o conhecimento sobre as ameaças também são fatores curciais para dominar uma nova estrutura de segurança dentro dos sistemas.
Ao CNN Money, Felipe Lutz, CIO da Outsera - empresa de outsourcing de tecnologia - destaca que uma das principais falhas das empresas está atrelada a engenharia social - método usado para para enganar, manipular ou explorar a confiança das pessoas.
"Engenharia social é explorar as fragilidades do comportamento humano. Esse tipo de ataque não está focado no financeiro, ele está focado no impacto social", complementa Dantas.
Avanços e limitações do Brasil na segurança cibernética
No cenário global, o Brasil ocupa uma posição ambígua no contexto de cibersegurança, sendo reconhecido como referência em inovação no sistema financeiro com soluções como o Pix, mas, ao mesmo tempo, enfrentando entraves estruturais que limitam sua autonomia digital.
De acordo com uma pesquisa fornecida pela Fortinet, multinacional de cibersegurança, durante o 1º tirmestre de 2025, foram registradas 314 bilhões de atividade maliciosas direcionadas ao Brasil.
Dentre o total, distribuições de malwares (41,9 milhões), ações relacionadas a botnets (52 milhões) e tentativas de mineração não autorizada de criptomoedas (67 mil) chamaram a atenção.
No entanto, as tentativas de explorações de vulnerabilidades foram as que mais se destacaram, com 2,4 bilhões de investidas.
De acordo com o Lutz, o país também enfrenta um grande gargalo da indústria nacional com a forte depednência do mercado externo, que viabiliza as ações dos softwares nacionais.
"A gente depende muito de fora para hardware”, diz.
Nesse cenário, o papel do Estado ganha ainda mais relevância. Para Rafael Dantas, é fundamental ampliar a coordenação entre setores e fortalecer a proteção de sistemas estratégicos.
“O governo tem que entrar num papel de regulação e coordenação”, ressaltou ele, enfatizando a vulnerabilidade em que instituições governamentais podem enfrentar, envolvendo serviços públicos digitais.
*Sob supervisão de Gabriel Bosa