Poucos artistas no mundo conquistaram, ao longo da carreira, as quatro maiores premiações do entretenimento: o Oscar, o Emmy, o Grammy e o Tony. Barbra Streisand está entre as exceções. Mas o destino reservou à cantora uma fama extra, que ela jamais desejou.

Em 2003, ela teve uma reação exagerada ao tentar deletar da internet uma fotografia de sua mansão: processou o fotógrafo. O efeito, contudo, foi contrário. Com a polêmica, multidões correram para ver a foto que ela tanto queria esconder. O fenômeno passou a ser conhecido como “efeito Barbra Streisand”. E agora se repete no Brasil, pelas mãos (e atos) do ministro Gilmar Mendes, do STF.

No caso brasileiro, a tentativa de censurar os críticos por parte de Gilmar Mendes só expôs ainda mais o decano da Corte Suprema.

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Explosão de acessos à sátira dos fantoches após reação de Gilmar

Gilmar Mendes “sentiu o golpe” da série satírica de marionetes chamada Os Intocáveis, criada pelo pré-candidato à Presidência da República pelo NOVO, Romeu Zema, para denunciar os abusos cometidos por ministros do STF e as ligações suspeitas de alguns deles com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Os bonequinhos fizeram algum sucesso, entretanto, a explosão de acessos só ocorreu mesmo depois do efeito Barbra Streisand. Incomodado, o ministro Gilmar Mendes enviou ao colega Alexandre de Moraes uma notícia-crime, pedindo que Zema seja investigado no inquérito das fake News, que tramita em sigilo no Supremo.

E não só isso. Gilmar Mendes saiu dando entrevistas à rodo, e só piorou as coisas. Entre outras reações, disse que o inquérito das fake News só vai acabar quando terminar, e propôs que siga pelo menos até as eleições, numa clara ameaça aos candidatos que ousem criticar o STF.

Deboche do sotaque mineiro e homofobia: o contra-ataque de Mendes

Atacando Zema, Mendes debochou do sotaque do ex-governador, dizendo que ele fala um dialeto por vezes incompreensível, talvez uma língua do Timor Leste. A resposta de Zema viralizou: "Sabe por que você não entende o que eu falo, ministro? Porque o linguajar de brasileiro simples é diferente do português esnobe dos intocáveis de Brasília." E foi além: "O problema não é você não entender as minhas palavras. O problema é os brasileiros não entenderem os seus atos." Ao tentar diminuir Zema, Gilmar ofendeu todos os mineiros. Efeito Barbra Streisand.

Mendes soltou ainda a pérola de que seria uma extrema ofensa se os ministros começassem a confeccionar bonecos de Zema como homossexual, ou como alguém roubando dinheiro do Estado. Igualou ladrão e homossexual numa só frase. 

De novo, efeito Barbra Streisand na veia. O cidadão quis reagir para impedir um dano, e acabou provocando um dano dez vezes maior. Apesar das falas desastrosas, Gilmar Mendes promete continuar sua cruzada de intimidação.  Ele escreveu no X que “há uma indústria de difamação e de acusações caluniosas contra o Supremo. Vou enfrentá-la”.

Ao se desculpar, Gilmar admitiu culpa por crime imprescritível e inafiançável

Mais uma vez, a tentativa de intimidar os críticos com ameaças. Mendes se desculpou por ter igualado ladrão com homossexual, como forma de injuriar alguém. Os usuários do X não perdoaram, com uma nota da comunidade.

Citando jurisprudência do próprio STF, a nota diz que “homofobia e transfobia são equiparadas ao crime de racismo, sendo inafiançáveis e imprescritíveis. Não cabe retratação para extinguir a punibilidade nesses casos”. Ao se desculpar, Mendes admitiu a culpa. E casos assim são imprescritíveis. Quem se colocou nessa situação foi o próprio Gilmar Mendes, o mesmo que se sentiu injuriado por uma piada do senador Sergio Moro, em festa junina. O suposto injuriado virou injuriador.



Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/gilmar-mendes-quis-calar-um-fantoche-repetiu-erro-classico/