Governo fará Desenrola 2.0 com fiscal pior, diz economista
Segundo Sérgio Vale, da MB Associados, uso do FGTS para resolver endividamento é paliativo que não ataca problema estrutural dos juros altos no país
O endividamento dos brasileiros está em patamares recordes, deixando o governo federal e o sistema financeiro em estado de alerta.
Para Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, o problema não está no tamanho da dívida das famílias brasileiras, que é relativamente pequeno quando comparado a outros países, mas sim no custo elevado dessa dívida.
"O brasileiro poderia ter mais dívidas se ela fosse mais barata, essa é a grande questão. Tem que pagar muitos juros em cima dessa dívida", explica.
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Publicado em 2026-04-28 19:03:12Desenrola 2.0 e uso do FGTS
Vale alerta que o governo pretende lançar o Desenrola 2.0 em uma situação fiscal ainda pior que a do programa anterior.
A nova versão deve utilizar recursos do FGTS, configurando o que o economista classifica como uma solução paliativa que não resolve o problema estrutural.
"Você está usando esse recurso para a população pagar suas dívidas agora, mas não está fazendo algo que faça com que ela consiga pagar dívidas mais baratas no futuro", afirma Vale, comparando a situação a "enxugar gelo".
O especialista destaca que o uso do FGTS levanta questões sobre o propósito original do fundo, criado nos anos 1960 como proteção ao trabalhador, mas que hoje oferece rendimentos considerados baixos quando comparados a outras opções de investimento.
Juros altos e desaceleração econômica
O cenário atual de juros elevados, com taxas reais acima de 10%, combinado com a desaceleração econômica e aumento do desemprego, exige maior cautela dos consumidores em relação ao crédito, segundo Vale.
"Será que vale a pena tomar crédito agora na taxa que a gente está tendo nesse momento, sabendo que o crédito vai continuar caro agora, vai continuar caro em 2026?", questiona o economista, recomendando uma abordagem mais cuidadosa.
O aumento dos juros, intensificado pelo recente choque do petróleo que elevou as projeções de inflação para próximo de 5% este ano, tende a aumentar a inadimplência e desacelerar o consumo.
"A fonte dessa desaceleração toda, tanto do consumo quanto da inadimplência, é justamente a taxa de juros", explica Vale.
Para o economista, a solução estrutural passa por um ajuste fiscal mais significativo que permita reduzir as taxas de juros para níveis mais normais, abaixo de dois dígitos, o que tornaria o crédito mais acessível e reduziria a inadimplência no longo prazo.