A inflação nos Estados Unidos voltou a acelerar e reacendeu preocupações sobre os próximos passos das principais economias do mundo. 

Devido à escalada das tensões no Oriente Médio e à alta do petróleo, investidores passaram a monitorar os possíveis aumentos de juros em países como Japão e Inglaterra.

“A inflação americana veio acima do mês anterior e isso se conecta com a possibilidade de alta de juros no Japão e na Inglaterra. Nos EUA, por enquanto, isso ainda não parece o cenário principal, mas o petróleo mais caro já indicava uma inflação mais elevada”, afirma Bernardo Pascowitch, apresentador da Resenha do Dinheiro.

Recomendamos para você

O avanço das commodities energéticas ocorre em meio ao agravamento dos conflitos geopolíticos, elevando os custos de combustíveis e pressionando cadeias globais de produção.

Porém, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, observa que o caso do Japão chama atenção pois o país conviveu durante décadas com inflação muito baixa e até períodos de deflação.

“O Japão sofreu por muitos anos com inflação baixa, e a deflação é um problema sério para a economia. Se o consumidor acredita que os preços vão cair, ele adia compras, o consumo desacelera e a atividade econômica perde força”, explica Marilia.

Após anos de juros próximos de zero, o Banco Central do Japão começou a normalizar sua política monetária recentemente. Agora, o mercado já considera novas altas de juros diante da pressão inflacionária global.

Para Thiago Godoy, educador financeiro, o cenário atual pode representar uma mudança estrutural para as economias desenvolvidas.

“A inflação ligada à energia não é algo totalmente inesperado. Estamos falando de uma crise global de energia que vem se acumulando e pode levar as economias maduras a conviverem com inflação e juros mais altos por um período prolongado e persistente”, diz.

A possível alta de juros no Japão também ameaça o carry trade, uma estratégia muito utilizada por investidores internacionais. Ou seja, o investidor pegava dinheiro barato no Japão para aplicar em mercados com juros altos, como o Brasil, por exemplo. 

Com a Selic elevada, o Brasil se tornou um dos destinos preferidos desse fluxo internacional nos últimos anos. Porém, Bernardo pondera que há riscos envolvidos nesse tipo de investimento. 

“Se o Japão sobe os juros, essa operação perde atratividade. O investidor passa a ter menos vantagem nessa arbitragem e muitos acabam desmontando posições rapidamente para quitar os empréstimos”, conta Pascowitch.

Quando essas operações começam a ser revertidas, investidores tendem a vender ativos líquidos para reduzir exposição e devolver capital emprestado.

Resenha do Dinheiro

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/guerra-pressiona-inflacao-e-juros-devem-subir-no-japao/