O Ministério da Saúde apontou que os casos de Hantavírus confirmados em passageiros no navio de cruzeiro MV Hondius (com histórico de circulação na América do Sul) não representa riscos para a disseminação da doença no Brasil.
Em 2026, até o momento, o país registrou um óbito e sete casos de contaminação pelo vírus, dado que, segundo o ministério, aponta tendência de redução.
Na última semana, a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná confirmou que dois casos de hantavírus foram registrados no estado. Outros 21 foram descartados e 11 seguem em investigação.
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Publicado em 2026-05-11 22:54:57Segundo o ministério, tanto a morte, registrada em Minas Gerais, como os casos da doença, confirmados no Paraná, não possuem relação com as contaminações pelo vírus no navio de cruzeiro.
“Não há registro da circulação do genótipo Andes no Brasil, variante relacionada ao episódio raro de transmissão interpessoal registrados na Argentina e no Chile, e que está em circulação no navio. Os casos humanos no Brasil não apresentam transmissão entre pessoas. Até o momento, o país identificou nove genótipos de Orthohantavírus em roedores silvestres, e nenhuma transmissão entre pessoas”, destacou o Ministério da Saúde.
Casos no Brasil
Desde a identificação da doença no Brasil, em 1993, até dezembro de 2025, foram confirmados 2.412 casos e 926 óbitos da doença.
Segundo o Ministério da Saúde, que continua monitorando a ocorrência de contaminações pelo vírus, os dados apontam tendência de redução, uma vez que, em 2025, o país registrou 35 casos e 15 óbitos, menor número desde o início da série histórica recente.
Em Minas Gerais, um homem, de 46 anos, morador do município de Carmo do Paranaíba (MG), morreu após ser diagnosticado com a doença. Segundo a Secretaria de Saúde do estado, o homem teve histórico de contato com roedor silvestre em uma lavoura.
Os primeiros sintomas teriam ocorrido no dia 2 de fevereiro, com princípio de cefaleia. Quatro dias depois, ele procurou atendimento ao apresentar febre, dor muscular, nas articulações e na região lombar. O homem morreu no dia 8 de fevereiro deste ano.
Segundo o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, não há motivo para alarme. “Muitas pessoas ficaram preocupadas, mas é importante esclarecer que não há transmissão de pessoa para pessoa. O vírus circula em roedores silvestres, especialmente em áreas rurais. São casos isolados, como já ocorreram em outros anos no estado”, afirmou.
Mesmo sendo casos considerados isolados, a pasta reforçou medidas de prevenção para a doença, principalmente para quem vive ou trabalha em áreas rurais. “A principal orientação é evitar varrer locais com poeira seca, onde possa haver fezes ou urina de roedores. O ideal é ventilar o ambiente, umedecer o piso antes da limpeza e manter alimentos e resíduos bem protegidos”, destacou Baccheretti.
Após a confirmação dos casos no Paraná, o secretário de Estado da Saúde, César Neves afirmou que a doença segue controlada. “A hantavirose é uma doença monitorada rigorosamente pela Divisão de Vigilância de Zoonoses e Intoxicações da Sesa. Estamos acompanhando de perto e garantimos que os profissionais de saúde estão capacitados para identificar e tratar com rapidez qualquer suspeita da doença”, destacou.
Leia abaixo na íntegra a nota da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná:
“A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) informa que os casos de hantavírus confirmados no Paraná em 2026 não têm relação alguma com o episódio do cruzeiro. Eles foram identificados em Pérola d’Oeste (abril) e Ponta Grossa (fevereiro). Outros 21 casos foram descartados e 11 seguem em investigação. Não há registro da circulação do vírus Andes no Paraná, que tem transmissão viral, de pessoa para pessoa, como os casos confirmados pela OMS. Os casos identificados no Estado são da cepa silvestre, transmitida por meio de animais silvestres (roedores). Não há qualquer surto registrado. A Sesa faz o monitoramento permanente da circulação do hantavírus no Estado, com vigilância ativa (pesquisa ecoepidemiológica) de roedores silvestres em áreas rurais com confirmação de caso em humano e reforça que a doença está controlada no Estado, sem qualquer motivo para preocupação”.
O que é o vírus?
A hantavirose é uma zoonose viral aguda de notificação compulsória imediata. Ela é transmitida aos humanos principalmente pela inalação de partículas presentes na urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados. Outras formas de contágio incluem o contato do vírus com mucosas, arranhões ou mordidas desses animais.
Quando se desenvolve, o vírus pode causar a SCPH (Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus) e em casos mais severos a síndrome da angústia respiratória aguda (SARA), nesse estágio é possível surgir edema pulmonar não cardiogênico, com o paciente evoluindo para insuficiência respiratória aguda e choque circulatório.
: Mais casos são esperados mas hantavírus não é outra Covid, diz OMS
Surto da doença em alto-mar
A identificação da doença no cruzeiro Hondius foi confirmada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) na última terça-feira (5). Ao que indicam as investigações, a transmissão aconteceu de pessoa para pessoa a bordo do navio.
A embarcação, operada pela empresa de turismo Oceanwide Expeditions, partiu de Ushuaia, na Argentina, no mês passado, em uma viagem pelo Oceano Atlântico, com paradas em algumas das ilhas mais remotas do mundo.
De acordo com o Ministério da Saúde, a transmissão entre pessoas do hantavírus do tipo Andes é “considerada limitada e costuma ocorrer em contatos próximos e prolongados”. No entanto, ambientes como navios de cruzeiro “exigem atenção devido à grande circulação de pessoas e ao compartilhamento de espaços fechados”.
Ao longo do percurso, vários passageiros adoeceram com uma doença respiratória de rápida progressão, informou a empresa. O caso resultou em três mortes pelo vírus.