É chegada a hora do fim do white-collar? “Colarinho branco” na tradução literal, o termo é popularmente conhecido nos Estados Unidos e faz referência às pessoas que trabalham nas funções administrativas de um escritório. 

Para Martín Escobari, copresidente do General Atlantic, um dos maiores fundos de investimentos do mundo, 80% desse trabalho será substituído pela inteligência artificial. “A inteligência artificial vai mexer em tudo. Vamos ter agentes autônomos que fazem o trabalho de todos os trabalhadores de camisa branca”, afirma. O tema foi discutido em edição especial do programa Hot Market com Rafael Furlanetti, gravada durante o Brazil Week, na sede da CNN Brasil em Nova York. 

Embora o potencial de automação seja vasto, Escobari ressalta que essa transição não acontecerá “do dia para a noite” e enfrentará o desafio da difusão tecnológica dentro das corporações. Segundo o executivo, o processo de maturidade das empresas passa por três fases: foco no que “mexe na linha de lucro”; a estruturação rigorosa de dados e preparação de talentos; e por fim, a criação de fontes de receita e modelos de negócios totalmente novos.  

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Nas companhias, a decisão de contratar outros perfis ou requalificar os funcionários é um dilema atual. Segundo Escobari, a inércia quando o assunto é IA não é uma opção. “Se o líder não fizer, não se preocupe: alguém vai fazer, uma guerra de preços vai começar e ele vai acordar, mesmo que atrasado. Cedo ou tarde, vai acontecer”, alerta. 

“Não há bolha de IA” 

Questionado sobre risco de estarmos vivendo uma bolha financeira em torno da inteligência artificial, Escobari destaca que a revolução atual é financiada por gigantes como Apple, Google, Meta, entre outras, que possuem caixas robustos e geração de valor real.

Ele argumenta que o investimento em IA nos EUA representa hoje apenas 1,5% do PIB, um patamar muito abaixo dos 6% vistos na revolução das ferrovias em 1860. “Tem euforia? Sim, sempre tem em toda nova onda. Mas essa onda é verdadeira e a mudança é real”, afirma, citando o exemplo da Anthropic, empresa na qual investiu e que teve salto de US$ 1 bilhão para US$ 44 bilhões em receita anual em apenas 18 meses.  

O desafio do SaaS 

O avanço da IA colocou em dúvida a sobrevivência de plataformas de software que não se adaptarem rapidamente. Escobari revelou que essas companhias chegaram a sofrer quedas de até 50% no mercado nos últimos meses, refletindo o receio de que modelos tradicionais se tornem obsoletos.  

No entanto, o investidor pondera que não haverá uma resposta única, “o mercado será dividido entre ganhadores e perdedores”. Para ele, a sobrevivência das empresas de software depende da complexidade e da dinâmica envolvendo dados que gerenciam.

O investidor destaca que o diferencial competitivo estará na capacidade de integrar automação, com softwares que gerenciam desde a logística até o faturamento de forma autônoma. 

O programa Hot Market, que trata de negócios e mercado financeiro, vai ao ar aos domingos, às 23h15, na CNN Brasil. Haverá uma reprise na segunda-feira, às 19h, no CNN Money.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/ia-substitui-80-das-funcoes-alerta-head-da-general-atlantic/