Kepler Weber vê agro mais seletivo com crédito restrito
CEO da empresa aponta pressão nas margens, alta da inadimplência no mercado e mudança no perfil de demanda, com armazenagem e automação ganhando protagonismo mesmo em cenário mais cauteloso
A Kepler Weber avalia que o agronegócio brasileiro atravessa um momento mais seletivo, marcado por pressão nas margens dos produtores e maior restrição ao crédito. Segundo o CEO da companhia, Bernardo Nogueira, esse ambiente tem impactado diretamente a capacidade de investimento no setor. < /p>
Os produtores enfrentam aumento nos custos de insumos e menor liquidez, o que reduz o apetite por novos projetos. Ao mesmo tempo, o cenário financeiro se tornou mais desafiador, com juros elevados e maior rigor por parte das instituições financeiras na concessão de crédito.
“A inadimplência está subindo, e os bancos ficam mais restritivos”, afirmou o executivo.
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Publicado em 2026-05-04 09:21:48Dados de mercado mostram uma deterioração relevante: a inadimplência geral saiu de cerca de 1,2% para 7,2%, enquanto no segmento de máquinas agrícolas o avanço foi ainda mais acentuado, passando de menos de 2% para aproximadamente 13%.
Apesar desse contexto, a Kepler Weber não registrou aumento significativo na inadimplência. De acordo com a empresa, isso se deve ao perfil de sua base de clientes — formada principalmente por grandes cooperativas e produtores mais estruturados — e ao modelo de negócios, em que os pagamentos são realizados ao longo da execução dos projetos, restando cerca de 5% apenas na entrega final.
Argentina ganha tração
No mercado internacional, a Argentina vem se consolidando como um dos principais vetores de crescimento da companhia. O faturamento no país multiplicou por dez, impulsionado por uma safra cheia após anos adversos e pela retomada das linhas de financiamento.
O ambiente de crédito argentino também começa a mostrar sinais de melhora, com oferta de recursos em dólar a taxas entre 7% e 10% ao ano, o que tende a estimular novos investimentos. Ainda assim, o executivo ressalta que produtores locais continuam lidando com margens apertadas, especialmente em culturas como soja e milho.
Mudança no perfil da demanda
A expectativa para o restante do ano é de cautela entre produtores médios e pequenos, que devem reduzir investimentos.
Por outro lado, a demanda industrial aparece como fator de compensação parcial, provocando uma mudança no mix de receitas da companhia.
Também há uma diferença clara de comportamento entre os perfis de produtores: enquanto os menores tendem a adiar decisões, os grandes continuam investindo, sobretudo em eficiência operacional.
Armazenagem segue como prioridade
Mesmo diante da desaceleração, o segmento de armazenagem permanece estratégico. O Brasil ainda convive com um déficit estrutural de capacidade, que deve persistir pelos próximos dois a três anos.
Segundo Noigueira, uma reversão mais consistente desse cenário dependerá de uma eventual recuperação nos preços das commodities, o que poderia destravar novos investimentos.
Além disso, há uma mudança no comportamento de compra, com produtores priorizando soluções ligadas à armazenagem justamente por conta desse déficit.
Automação avança no campo
Entre os grandes produtores, o foco nas soluções de armazenagem tem sido o aumento de produtividade por meio da tecnologia. A adoção de sistemas mais automatizados permite reduzir a necessidade de mão de obra e aumentar a eficiência das operações. “Hoje é possível operar com cinco pessoas em vez de dez”, afirmou o executivo.
Esse movimento, no entanto, vem acompanhado de maior necessidade de investimento inicial, já que projetos mais modernos e automatizados demandam capex mais elevado.
Agrishow reflete desaceleração
Esse cenário também se refletiu na Agrishow, onde a companhia observou uma redução no ritmo de negócios. “A Agrishow é sempre um marco, mas neste ano vimos um comportamento diferente”, afirmou.
Ainda assim, a retração foi mais intensa em segmentos como máquinas agrícolas, enquanto a armazenagem demonstrou maior resiliência, sustentada por uma demanda estrutural ainda elevada.