Imagem da cidade de Piatã, na Chapada Diamantina Guia Chapada Diamantina A cidade baiana de Piatã, conhecida por registrar as menores temperaturas do Nordeste, já chegou a marcar 1,2°C. O recorde ocorreu em agosto da década de 1980, segundo o secretário municipal de Turismo, Ricardo Xavier. Localizado na Chapada Diamantina e a mais de 1.200 metros de altitude, o município reúne características geográficas que favorecem a ocorrência de temperaturas mais baixas ao longo do ano. Nos últimos dias, os termômetros voltaram a registrar mínimas próximas dos 12°C. De acordo com o meteorologista Henrique Mendonça, a queda recente nas temperaturas está relacionada à atuação de ventos vindos do sul do país, associados ao mesmo sistema que provocou chuvas em diversas regiões da Bahia. ? Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia ? Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Segundo o especialista, a combinação entre altitude elevada e relevo montanhoso faz com que a cidade perca calor mais rapidamente durante a noite, favorecendo madrugadas mais frias. Meteorologista explica fatores que influenciam baixas temperaturas em Piatã Ele explicou ainda que esse tipo de cenário é comum nesta época do ano, período que antecede o início oficial do inverno, em 21 de junho. "É comum que ocorra essas quedas de temperatura, esses registros de temperaturas baixas principalmente agora dentro do nosso período chuvoso", falou o especialista. Além do clima frio, Piatã abriga o Pico do Barbado, considerado o ponto mais alto do Nordeste, e é reconhecida pela produção de cafés especiais premiados nacional e internacionalmente. As paisagens serranas, cachoeiras e trilhas também ajudam a atrair turistas, principalmente entre maio e agosto, quando as temperaturas costumam atingir os menores índices do ano. A expectativa é que o frio continue nas próximas semanas, especialmente durante os meses de junho e julho e na primeira quinzena de agosto, período tradicionalmente marcado pelas menores temperaturas registradas no município. O frio e a rotina dos moradores Imagem na região de Piatã, na Chapada Diamantina Malu Vieira/g1 Há um ano e dois meses morando em Piatã, a psicóloga Vitória Carvalho disse ao g1 que precisou adaptar hábitos e até o guarda-roupa para enfrentar a friaca da cidade. Ela contou que quem visita o município pela primeira vez costuma se surpreender com a intensidade do frio, que pode ser sentido mesmo durante o dia. "Eu digo que é bom, principalmente se for nesse período de São João, entre final de maio, junho, julho e agosto, vir com bastante roupa de formas finas, que são básicas; roupas mais grossas, mais grosseiras mesmo, por conta do frio. Aqui a gente tem um período de sol, mas é um sol com vento frio, então durante o dia você sente frio também". Vitória lembrou que os dias mais frios que viveu na cidade ocorreram justamente neste período do ano. Segundo ela, a sensação térmica pode ser ainda menor por causa dos ventos constantes. Na semana passada, por exemplo, precisou recorrer a uma medida que nunca havia imaginado tomar quando decidiu morar em Piatã: comprar um aquecedor portátil. A psicóloga também já enfrentou dias em que o frio era intenso a ponto de causar desconforto físico. "Eu lembro de ter dias bem desafiadores, que o corpo chegava a doer de tanto frio". Segundo Vitória, até os animais de estimação demonstram sentir as mudanças na temperatura. Os gatos dela ficam agitados e costumam procurar os locais mais quentes para se aquecer. Uma história recente ajuda a ilustrar como as baixas temperaturas podem surpreender até quem já conhece a região. Durante uma visita ao Alto da Chapada, um dos atrativos turísticos do município, ela ouviu dos proprietários do local o relato de um motociclista que desistiu de voltar para casa pilotando: o homem teria deixado a moto estacionada no espaço e retornado de carro com amigos porque não conseguiria enfrentar o frio da noite sobre duas rodas. Experiência para turistas Termômetro registra 10°C em Piatã Achei Sudoeste Para quem visita a cidade, a intensidade do frio costuma ser uma das primeiras surpresas. Segundo a guia de turismo Amanda Pedreira, muitos turistas chegam esperando temperaturas mais quentes. "O que mais surpreende é a combinação entre altitude, paisagens e clima. Muitas pessoas não imaginam encontrar temperaturas tão baixas no Nordeste". Mas, segundo ela, o frio é justamente o que transforma a experiência dos visitantes, que encaram caminhadas pelas montanhas, contemplando as paisagens e observando fenômenos comuns da região, como a neblina que frequentemente cobre as serras nas primeiras horas da manhã. Café, cachoeiras e montanhas Pico do Barbado, na Chapada Diamantina Dimitri de Igatu De modo geral, as baixas temperaturas favorecem diversos setores da economia local, a exemplo dos produtores de café. Beneficiados pela altitude elevada e pelas características do solo, os grãos produzidos na região conquistaram reconhecimento dentro e fora do Brasil. Moradores e profissionais do turismo ressaltam que as fazendas e propriedades rurais ligadas à cafeicultura recebem visitantes interessados em conhecer o processo de produção e degustar cafés premiados. Além do café, o município reúne uma série de atrativos naturais. Entre eles estão cachoeiras, mirantes naturais, pinturas rupestres e importantes nascentes da Chapada Diamantina. A guia de turismo Amanda destacou entre os principais atrativos a região dos Gerais, o Vale dos Três Morros e a Serra da Tromba, onde está localizada uma das nascentes do Rio de Contas. Os visitantes também costumam incluir no roteiro o Pico do Barbado, ponto culminante do Nordeste brasileiro, cuja vista panorâmica é considerada uma das mais impressionantes da Chapada Diamantina. Município da Chapada Diamantina abriga ponto mais alto da região nordestina. Arte g1 LEIA TAMBÉM: Piatã, na Chapada Diamantina, oferece lindas paisagens entre serras e temperaturas baixas Diversidade climática e práticas sustentáveis: conheça fatores que tornam a Bahia o maior produtor de café do Nordeste e o 4º do Brasil 'Capital baiana da cachaça' é cidade com melhor qualidade de vida na Bahia, aponta estudo notícias do estado no g1 Bahia. do g1 e TV Bahia ?
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