Mineradora australiana compra projeto de terras raras em Minas Gerais
Ativo comprado pela Oceana Metals ainda não possui recurso mineral declarado, mas sondagens antigas indicam potencial relevante para terras raras e nióbio no projeto Serra Negra
A australiana Oceana Metals anunciou a aquisição do projeto Serra Negra, em Minas Gerais, em mais um movimento de empresas estrangeiras em busca de ativos de terras raras no Brasil.
O acordo prevê a compra de 100% da Songeo Mineração, empresa brasileira que detém integralmente o projeto. Serra Negra é apresentado pela companhia como um ativo de terras raras hospedado em carbonatito, com potencial adicional para nióbio.
O avanço do projeto dependerá de diversas etapas técnicas adicionais. Antes de se tornar uma eventual operação mineral, Serra Negra precisará confirmar a escala e o teor da mineralização, declarar recurso mineral, avançar em estudos metalúrgicos, avaliar viabilidade econômica, obter licenças e garantir financiamento para desenvolvimento.
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Publicado em 2026-04-30 11:12:16Segundo apresentação a investidores, a operação envolve pagamento inicial de US$ 2,95 milhões em dinheiro e 20 milhões de ações da Oceana, avaliadas a A$ 0,36 por papel.
O contrato também prevê pagamentos adicionais vinculados ao avanço técnico do ativo: US$ 750 mil após o anúncio de um recurso mineral inicial e US$ 1,5 milhão caso seja declarado um recurso mínimo de 100 milhões de toneladas a 4% de teor médio de terras raras. Os vendedores também ficarão com um royalty de 2,5% sobre commodities extraídas do projeto.
A Oceana também anunciou uma captação de aproximadamente A$ 20 milhões, em uma colocação institucional em duas etapas, para financiar a aquisição e acelerar os trabalhos de exploração. Do total de recursos previstos, cerca de A$ 14 milhões serão destinados a sondagem, geofísica, exploração e estudos no Serra Negra e em outros projetos da companhia.
O projeto fica na Província Ígnea do Alto Paranaíba, uma das regiões brasileiras mais conhecidas por complexos carbonatíticos.
A companhia afirma que o complexo de Serra Negra tem cerca de 10 quilômetros de diâmetro e o classifica como o maior e menos estudado complexo alcalino-carbonatítico da região. O ativo está localizado próximo a Patrocínio, em Minas Gerais, com acesso a rodovias, ferrovias, energia, água, mão de obra e serviços.
A tese da companhia é que Serra Negra pode se beneficiar da proximidade com distritos já consolidados de minerais críticos no Brasil, incluindo Araxá, Catalão e Tapira. A região de Araxá abriga operações de nióbio da CBMM e projetos de terras raras e nióbio em desenvolvimento, como o da St George Mining.
Na apresentação, a Oceana afirma que antigas amostragens independentes de sondagem indicaram mineralização relevante de terras raras.
Em um dos furos, a empresa cita 17 amostras com média de 3,4% de teor médio de elementos de terras raras, com resultados entre 0,39% e 8,4%. Em outro, cinco amostras apresentaram média de 4,4% de teor médio.
Apesar dos resultados iniciais, o projeto ainda está em estágio preliminar. Serra Negra ainda não possui recurso mineral declarado e que não há garantia de que a companhia conseguirá reportar uma estimativa de recurso no futuro.
Os dados divulgados até agora se baseiam em amostragens de campanhas antigas de sondagem, que ainda precisarão ser confirmadas por novas campanhas e estudos técnicos.
Além das terras raras, a empresa afirma ter identificado um alvo emergente de nióbio, com resultados pontuais acima de 1% de Nb?O? em amostras de furos antigos. A mineralização de nióbio ocorre em unidades de carbonatito próximas às zonas principais de terras raras, segundo a apresentação.
O plano inicial da Oceana prevê a reanálise e reamostragem de cerca de 8 mil metros de campanhas antigas de sondagem, até 20 mil metros de sondagem, levantamentos geofísicos e testes metalúrgicos. A companhia afirma que o objetivo é validar os resultados antigos, definir a continuidade das zonas mineralizadas e avançar para uma estimativa inicial de recurso mineral.
A aquisição ocorre em meio ao aumento do interesse internacional por projetos brasileiros de terras raras. O movimento ganhou força após a compra da Serra Verde pela USA Rare Earth, operação vista por parte do mercado como uma nova referência de valor para ativos de terras raras fora da China.
As terras raras são usadas em diferentes aplicações industriais e tecnológicas. Parte desses elementos, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, é considerada estratégica para a produção de ímãs permanentes de alto desempenho, usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e aplicações de defesa.
O Brasil tem sido visto por investidores estrangeiros como uma das possíveis fronteiras para ampliar a oferta desses minerais fora da cadeia chinesa. Apesar do potencial geológico, o país ainda enfrenta desafios para avançar em etapas mais complexas da cadeia, como separação de óxidos, metalização, ligas e produção de ímãs.
No caso de Serra Negra, a Oceana tenta posicionar o ativo como parte dessa reorganização global das cadeias de minerais críticos.