O historiador Carlos Guilherme Mota, 85, professor emérito da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) da USP, faleceu na última quarta-feira (20), aos 85 anos.
Nome central da historiografia contemporânea brasileira e pioneiro no estudo das ideologias e mentalidades no país, Mota deixa um legado de mais de 30 livros publicados.
Contribuição teórica e grandes obras
Sob a influência de intelectuais como Emília Viotti da Costa e Fernando Novais — com quem escreveu a obra “A Independência Política do Brasil” —, Mota rompeu com a história meramente factual para se debruçar sobre as estruturas de poder e o pensamento das elites. Sua transição para a disciplina uniu a vocação filosófica à pesquisa histórica.
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Publicado em 2026-05-21 15:28:12“Na verdade, eu queria ser filósofo, mas tinha pouca aula para dar. Daí eu vi que na história também daria para fazer filosofia. E por aí entrei no estudo das mentalidades”, declarou o historiador ao Jornal da USP em 2017.
Sua visão crítica também se estendeu ao papel político da academia; em depoimento gravado em 2018, o professor discutiu a atuação da universidade diante dos acontecimentos de 1968, ano de instauração do AI-5.
Pioneirismo e gestão na USP
Graduado em história pela USP em 1963, Mota concluiu seu mestrado em 1967, o doutorado em história moderna e contemporânea em 1970 e tornou-se livre-docente em 1975.
Sua liderança institucional consolidou-se em 1986, durante a gestão do reitor José Goldemberg, quando Mota liderou o grupo de docentes que fundou o IEA (Instituto de Estudos Avançados) da USP, atuando como seu primeiro diretor até 1988.
O espaço foi concebido para ser transdisciplinar e aberto a intelectuais externos. Anos mais tarde, em abril de 2014, assumiu a direção da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. O reconhecimento definitivo pela instituição veio em 2009, quando recebeu o título de Professor Emérito da FFLCH.
Atuação internacional e nacional
A relevância de Carlos Guilherme Mota ultrapassou as fronteiras da USP. No cenário internacional, o historiador coleciona conquistas que marcaram a sua trajetória acadêmica.
Ele integrou o comitê do Programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Princeton; na França, ocupou o cargo de diretor de estudos na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris. Em sala de aula, lecionou como professor visitante e consultor nas universidades de Londres, Texas e Salamanca.
Enquanto Brasil, também contribuiu fortemente para outras grandes instituições de ensino, atuando como professor titular da Unicamp e docente da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
O velório aconteceu nesta quinta-feira (21) no Funeral Home, no bairro da Bela Vista, em São Paulo.