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Eu nem sou muito fã dessa tese, mas tem coisas que realmente me fazem concordar com Theodore Dalrymple e sua explicação sobre a propaganda totalitária. Para ele, o objetivo da propaganda totalitária não é persuadir nem convencer ninguém sobre nenhuma tese, mas sim humilhar os cidadãos. Quanto maior a distância entre a propaganda e a realidade, quanto mais óbvia é a mentira, mais abalada torna-se a dignidade das pessoas, que se emasculam e, assim, tornam-se dóceis e incapazes de protestar diante de novas mentiras.
É por isso que regimes totalitários gostam de mentiras estapafúrdias, extravagantes, mentiras esquizofrênicas que apenas pessoas em situação de pilili podem aceitar; como, por exemplo, a ideia de que homens e mulheres não têm diferenças biológicas. Quão desmoralizado – e quão torturado precisa estar o ego de alguém – para aceitar esse tipo de coisa? Para olhar para o seu pai e a sua mãe e dizer: é, eles são idênticos, nenhuma diferença biológica!?
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Publicado em 2026-05-06 16:06:02Aqui se revela a verdade pensada pelos neocomunistas: na democracia brasileira, quem manda é Pilili, e nós é quem somos as mascotes. Enquanto concordarmos com ela, tudo nos irá bem; mesmo nos piores regimes autoritários, nunca faltará liberdade para quem quiser genufletir à tecnocracia iluminada
Esses foram alguns dos pensamentos que tive ao ver o lançamento do tal Pilili, a mascote (assumidamente, como era de se esperar, sem gênero definido) das eleições de 2026 lançada pelo TSE. Logo de início a estética do negócio desconcertou-me: trata-se de uma pessoa vestindo um aparato em formato de urna eletrônica, numa fantasia que parece uma mistura de teletubby, dollynho e um projeto escolar low-budget em cartolina.
Segundo o site do TSE, a mascote é “imparcial, confiável e segura”, e “ela não tem preferência por ideologia ou partido. A bandeira dela é a da democracia”. Será que a Pilili é realmente democrática? Será que ela aceitará críticas a si? Sei que não se pode criticar a sagrada arca mosaica, quer dizer, essa até podemos criticar; é a urna eletrônica que, no Brasil da democracia resgatada, não temos a liberdade de expressão para criticar. Esperamos que a Pilili seja diferente; ou ela se revelará um monstro lúgubre, pronto para executar a vingança da tecnocracia contra as massas que ousarem criticá-la?
Mas a despeito dessas minhas críticas, o que impressiona mesmo é como Pilili é a perfeita representação da democracia kitsch que permeia a mente dos tecnocratas da república. Digo “kitsch” porque eles não gostam de democracia de verdade; eles gostam é de si próprios afetando gosto pela democracia, o que é diferente. Eles preferem um bibelô de democracia, um pequeno item decorativo que eles podem colocar sobre a mesa deles para comentar com visitas e admirar de vez em quando, enquanto eles tomam todas as decisões que realmente importam.
Se vence a esquerda, a democracia respira, nós derrotamos o bolsonarismo, o Brasil voltou, o amor voltou, mais livros menos armas, e Pilili está feliz e alegre. Se a população elege alguém indesejável (ou seja, de direita), a democracia está em crise, há risco de fascismo, ninguém larga a mão de ninguém, chama o Levitsky, precisamos defender a democracia, e Pilili voltará como a vingança dos gremlins.
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Para a tecnocracia progressista, a democracia só é realmente democrática quando ela ruma para um destino certo, que seria o rumo de cada vez mais progressismo. E por isso eles precisam educar e orientar o povão para que absorvam essa mesma escatologia, esse mesmo senso de direção da história, e comecem, enfim, a votar do jeito certo.
Vejam, portanto, o paternalismo, a condescendência, o trato infantilizante de se pensar responsável por conscientizar o povão nas benesses da grande urna eletrônica e na promoção do “voto consciente”. O povão não tem condição de decidir nada, nem mesmo de entender o valor da urna, das eleições, da democracia; melhor fabricarmos um boneco infantil, à altura mental que atribuímos à população.
Mas e se o povo quiser votar por outros meios que não a urna eletrônica? E se o Congresso decidir por outro tipo de apuração? Os representantes do povo ainda podem decidir diferente, ou seus projetos de lei apenas têm valor quando aquiescem à tecnocracia?
Numa democracia de verdade, a soberania é do povo, que pode decidir sobre tudo, inclusive sobre votar por outros meios, apurar votos por outros meios, implementar voto impresso, voltar à cédula em papel, à epigrafia, à contagem em pintura rupestre, ou o que quer que deseje implementar.
E aqui se revela a verdade pensada pelos neocomunistas: na democracia brasileira, quem manda é Pilili, e nós é quem somos as mascotes. Enquanto concordarmos com ela, tudo nos irá bem; mesmo nos piores regimes autoritários, nunca faltará liberdade para quem quiser genufletir à tecnocracia iluminada. Se essa restrição ao nosso exercício democrático fosse limitado à urna, seria um problema menor; mas hoje Pilili é apenas uma metonímia de uma grande restrição democrática, de um grande cabresto que a tecnocracia busca impor ao povão que se recusa a aceitar a escatologia progressista.