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Estou escrevendo em primeira pessoa (o que nunca faço) não só para um esclarecimento urgente, mas também como um alerta.
Está circulando fortemente um texto assinado por mim que não escrevi. Além de esclarecer o público sobre essa autoria falsificada, aproveito para alertar sobre o perigo de essas fraudes favorecerem o avanço da censura.
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Publicado em 2026-05-06 08:48:39O título do texto pirata é: “Quem é o General que intimidou Marcel Van Hatten e por que ele é protegido por generais e juízes”. Segue-se um subtítulo e, abaixo, vem o meu nome e a suposta data de “publicação” — “03 Maio 2026 - 10h 00 | 2 min”, exatamente assim, com esse padrão sujo e equivocado para representar data e hora. Ao final do texto, foi colocado um link falso para a Revista Oeste, que leva a uma página inexistente.
Apesar da falsificação grosseira, esse texto vem circulando intensamente por WhatsApp, já tendo chegado a autoridades, jornalistas e ao público em geral. É um texto altamente comprometedor, com uma série de especulações sobre supostas conexões políticas do meio militar — tudo embalado como “revelação de bastidor”.
Quem queria espalhar essas teses achou uma boa ideia colocar a minha assinatura no texto, optando pela fraude em lugar da autenticidade.
Impressiona como moralistas “de direita”, supostamente dedicados a denunciar abusos do “sistema”, possam usar expedientes torpes como esse, igualando-se aos que dizem ser o problema do país
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Ninguém pode ser pior do que alguém que faz contrabando de reputação, usando um nome que respeita para “impulsionar” uma mensagem supostamente virtuosa. Se você frauda a identidade de quem admira, você é capaz de tudo.
Aproveito, então, mais essa “oportunidade” para deixar claro que meu trabalho como jornalista ou como escritor não tem apelido ideológico. Diferentemente do que parece ser uma tendência atual, com comunicadores adotando sotaque político-partidário (e falando em “independência”), eu não confundo jornalismo com ativismo. Se eu quisesse panfletar, já teria ido cantar em outra freguesia.
Aliás, a mídia panfletária está hoje na origem de boa parte dos nossos males, em minha opinião (seja qual for o tipo de mídia e a cor do panfleto). É daí que vem o pretexto para cerceamentos fantasiados de proteção à coletividade. O comunicador militante instiga o censor. Ele vê ali uma figura ou uma mensagem caricaturável aos olhos do público e consegue uma licença para o seu chicote “democrático”.
O repasse e o compartilhamento desatentos de textos piratas, como o acima referido, são outra bomba. Reforçam os argumentos dos que querem estigmatizar redes e aplicativos como ambientes “tóxicos”, para melhor controlá-los. Checar antes de compartilhar não é um capricho. É uma decisão entre a responsabilidade e a leviandade.
Não escrevi sobre o assunto envolvendo a discussão entre um militar e um deputado no Congresso Nacional. Se o texto pirata chegou a você, peço que esclareça a quem o enviou. Pela simples razão de que, se qualquer autoria pode ser atribuída a mim (e a outros comunicadores, como tem acontecido), o original perde o valor que eventualmente tenha.
Uma crônica que escrevi e narrei em vídeo sobre a medalha de ouro do tenista Novak Djokovic, em Paris, virou, após uma edição fraudulenta, uma exaltação a Jair Bolsonaro — que se espalhou também em grande escala. Um truque desses pode ser tudo, menos uma homenagem ao ex-presidente — possível intenção do fraudador. E minha independência na observação da conjuntura atual e da passada não se confunde com exaltações e bajulações a líderes políticos, tão comuns no jornalismo contemporâneo.
Aos que acham que vale fraudar para combater um “mal maior”, não tenho nada a dizer. A quem passa adiante a fraude por desatenção, eu digo: só você pode nos salvar do mergulho definitivo na farsa. Seja responsável — antes que seja tarde.