O Grande Debate: Desaprovação de Lula é irreversível?
Pesquisa Datafolha aponta 50% de desaprovação ao governo Lula; analistas debatem impacto nos resultados eleitorais
Uma pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (17) revelou que 50% dos eleitores brasileiros desaprovam o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto 48% aprovam a gestão. Os indecisos somaram 3%.
Bortoletto: desaprovação consolidada não pode ser revertida
Para Bortoletto, a desaprovação registrada é, de fato, irreversível. "A desaprovação de Lula é irreversível", afirmou. No entanto, ele fez uma ressalva importante: esse índice não se traduz necessariamente em intenção de voto. "Nem a aprovação nem a desaprovação", por si sós, determinam o resultado das urnas, segundo ele.
O empresário avaliou que, independentemente de quem vença o pleito, o cenário de alta desaprovação já está consolidado. "Se o presidente Lula for eleito, ele vai ser eleito com uma desaprovação alta. Da mesma forma que se Flávio Bolsonaro for eleito, ele vai ser eleito com uma desaprovação alta do governo Lula", declarou.
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Publicado em 2026-09-20 11:40:59Bortoletto também classificou como "medida desesperada" uma ação recente do governo relacionada ao Bolsa Família, descrevendo-a como uma tentativa de reverter o quadro eleitoral, e não os índices de desaprovação.
Sobre os próximos dias antes do primeiro turno, Bortoletto demonstrou ceticismo quanto à possibilidade de uma definição antecipada.
"Não acredito em uma solução de primeiro turno para qualquer um dos lados neste momento, a não ser que tenhamos fatos novos", disse.
Ele previu ainda que tanto o governo quanto os candidatos de oposição deverão apresentar medidas polêmicas nas semanas seguintes.
Cardozo aponta paradoxo e defende análise mais ampla
Cardozo identificou uma contradição no argumento de Bortoletto. "Vejo um paradoxo argumentativo", afirmou, explicando que seu interlocutor, ao mesmo tempo em que sustenta que tudo o que parte do governo prejudica Lula, também argumenta que o Bolsa Família, por ser uma ação governamental, beneficia o candidato. "Das duas, uma: ou o governo vai ajudar ou o governo vai piorar", pontuou.
O comentarista concordou com Bortoletto no ponto em que desaprovação do governo não implica diretamente em resultado eleitoral.
Segundo Cardozo, um eleitor pode desaprovar o governo e, ainda assim, votar em Lula no segundo turno por considerar o adversário uma opção pior.
"Alguém pode perfeitamente não gostar do governo Lula e ter uma convicção democrática que diz: eu não quero quem tentou dar golpe de Estado, eu não quero quem fez o que fez na pandemia", exemplificou.
Para ele, os eleitores constroem sua decisão dentro de um contexto mais amplo, e os dados de desaprovação, embora relevantes, não são determinantes.
"A nossa paixão não pode criar nuvens na nossa argumentação", concluiu.