O empresário brasileiro Joesley Batista (em foto de 2017), um dos proprietários da empresa de processamento de carne JBS. (Foto: EFE/Joédson Alves)

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“Não posso responder essa pergunta”, disse Joesley Batista sobre ajudar Lula e Donald Trump a se encontrarem. Jornalistas alegam que a ligação de Lula a Trump teria sido feita pelo celular de Batista, o maior doador para a festa de comemoração da vitória de Trump, num valor de US$ 5 milhões. Enquanto isso, rolava em Nova York um evento com o filho de Trump, Don Jr, além de André Esteves, do BTG, e Wesley Batista, da JBS.

Quem achava que Eduardo Bolsonaro tinha essa moral toda com a administração Trump foi forçado a descobrir, do jeito mais duro, que o “roceiro” da JBS é quem manda nessa “joça” de verdade. Money talks, como dizem os próprios americanos. No evento, o filho de Trump falou da China, tentando passar o recado do pai para que o Brasil se afaste do país comunista. Mas Lula vai mesmo seguir esse “conselho” ou só fingir, como sempre faz?

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Pedi ao Grok um levantamento dos principais benefícios do governo Lula ao grupo JBS, dos irmãos Batista. Foi praticamente o Estado brasileiro que fez da JBS um gigante internacional, dentro da ótica “desenvolvimentista” de seleção dos campeões nacionais. O principal benefício foi o apoio massivo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que ajudou a transformar a JBS de frigorífico regional em gigante global.

Foi praticamente o Estado brasileiro que fez da JBS um gigante internacional, dentro da ótica “desenvolvimentista” de seleção dos campeões nacionais

Aportes e participações acionárias via BNDESPar (braço de investimentos do BNDES): cerca de R$ 8,1 bilhões entre 2007 e 2011. Esse dinheiro foi usado principalmente para aquisições internacionais (como a Swift Foods nos EUA, a Pilgrim’s Pride, a Bertin etc.). O BNDES se tornou sócio da empresa, chegando a deter até 21% das ações.

Financiamentos indiretos e diretos adicionais: milhares de operações via Finame (máquinas e equipamentos), BNDES Exim (exportação) e outros programas. Estimativas totais do período 2005-2014 chegam a R$ 10 bilhões a R$ 12,8 bilhões, quando somados empréstimos e aportes.

A alteração do estatuto do BNDES por um decreto de Lula, em 2007, permitiu que o banco financiasse empresas brasileiras para compras no exterior, o que antes era proibido. Isso foi essencial para a internacionalização da JBS.

Isenções tributárias federais (renúncias fiscais): entre janeiro de 2024 e maio de 2025, a JBS deixou de pagar R$ 8,5 bilhões em tributos federais (principalmente Cofins, PIS/Pasep e contribuição previdenciária). Isso representa 68% do lucro líquido do grupo no período (R$ 12,5 bilhões). A JBS lidera o ranking de renúncias fiscais do agronegócio.

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Benefícios da reforma tributária e isenções do agro: a JBS foi beneficiada pela manutenção ou ampliação de isenções sobre carnes (PIS/Cofins, IPI etc.), que já existiam e foram preservadas ou reforçadas. O setor de proteína animal é um dos mais desonerados do país.

Medida Provisória 1.232/2024 (energia): beneficiou indiretamente o grupo J&F (controlador da JBS) via empresa Âmbar Energia. A MP converteu contratos de térmicas e transferiu custos bilionários para os consumidores de energia (a estimativa é de R$ 2 bilhões por ano). Não é benefício direto à JBS, mas ao mesmo grupo econômico.

Crédito rural e Plano Safra: a JBS, como maior processadora de carne, se beneficia indiretamente dos grandes volumes de crédito rural (Pronamp, Pronaf etc.) liberados para fornecedores (pecuaristas). Não há valores exclusivos da JBS divulgados, mas o Plano Safra 2025/2026 bateu recorde (R$ 516 bilhões).

Benefícios estaduais (ICMS): vários estados concederam ou mantiveram incentivos fiscais (créditos presumidos de ICMS) à JBS. Em 2017 houve auditorias em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, mas muitos continuam válidos.

Joesley Batista virou “chanceler” informal, fazendo ponte entre Brasil, Estados Unidos e Venezuela, tudo isso com muito dinheiro público

Além disso, como se fosse pouco, o grupo dos irmãos Batista contou com a “ajudinha” direta do STF. O relator Dias Toffoli, por exemplo, suspendeu uma multa de R$ 10,3 bilhões no acordo de leniência em 2023. Mais de dez bilhões de reais!

Relembrar desses fatos é uma ducha de água fria em quem ainda tem esperanças no futuro do Brasil. A corrupção em nosso país tem um passado glorioso e um futuro promissor, como diria Roberto Campos. O Estado vem sendo tratado como a locomotiva do desenvolvimento desde sempre, e isso pariu um “capitalismo de laços” em que a meritocracia cede lugar ao clientelismo e ao patrimonialismo. Investe-se muito em lobby político em vez de competitividade. Com os recursos da “viúva”, grupos com boas conexões sempre se dão bem à custa do povo. E hoje percebemos que tais tentáculos vão longe.

Joesley Batista virou “chanceler” informal, fazendo ponte entre Brasil, Estados Unidos e Venezuela, onde também possui inúmeros investimentos, e o elo entre Lula e Trump. Tudo isso com muito dinheiro público, como fica claro. O “roceiro” é o homem que realmente manda nessa “bagaça”. O Brasil não é para amadores, tampouco um país sério.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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