Senador Flavio Bolsonaro após visitar o pai preso na Superintendência da PF em Brasília, em 9 de dezembro de 2025 Reuters/Adriano Machado A pesquisa Quaest divulga hoje mostra o candidato de Flávio Bolsonaro (PL), Douglas Ruas, ao governo do Rio bem atrás de Eduardo Paes. Enquanto o ex-prefeito aparece com 40%, Ruas tem 10%. É fato que a campanha ainda não começou para valer, mas há uma percepção de que, sem a máquina e dinheiro público para garantir apoio de prefeitos, Douglas Ruas terá dificuldades de decolar. O mais problemático para Flavio, no entanto, é que o PL do Rio de Janeiro se transformou num foco de tensão e ameaça. Em público, Flávio dá apoio a Ruas, mas nos bastidores, trabalha com um plano B: André Marinho, que concorrerá pelo Partido Novo. O maior problema de Flávio com o PL de seu estado são os esqueletos do governo Castro. Eles já começaram a sair do armário. O discurso de campanha de Flávio terá um forte tom contra corrupção. Mas foi o governo do PL do Rio, de Cláudio Castro, quem fez o maior aporte de dinheiro no banco Master. Torrou mais de 1 bilhão de reais em aplicações no banco de Vorcaro, dinheiro que era para pagar aposentados e pensionistas. O volume cresce com o aporte feito pela Cedae no mesmo banco: cerca de 200 milhões. Por isso há forte tensão para saber se uma provável delação do de Vorcaro envolverá o PL do Rio. Além da corrupção, tema que Flavio já tem problemas pessoais, como rachadinha e compra de imóveis em dinheiro vivo, a austeridade na gestão pública será outra ponto de ataque ao PT. Vídeos em alta no g1 No entanto, as sucessivas exonerações feitas após Claudio Castro deixar o Palácio Guanbara revelam que o PL do Rio transformou a máquina pública numa fantasmolândia. Só nas primeiras semanas de interinidade do governador interino, o desembargador Ricardo Couto, foram mais de 700 servidores exonerados, alguns que não tinham crachá, nem a senha para entrar no sistema do governo. Sem a senha, não se consegue trabalhar. A Casa Civil, outro exemplo de descalabro, tinha uma subsecretária de Gastronomia, cujas entregas não são conhecidas pela população. Mas os esqueletos do PL do Rio não se limitam ao governo Castro. A própria Alerj, hoje presidida por Douglas Ruas, vive em apreensão com uma possível desdobramento de da operação da Polícia Federal que levou para cadeia o antecessor o ex-presidente Rodrigo Bacellar e o deputado TH Joias, acusados de ligação com o Comando Vermelho. Bacellar era o candidato de Castro e do próprio Douglas Ruas para o governo do estado. A Polícia Federal tem em suas mãos todas as conversas mantidas entre o ex- presidente da Alerj e a base que o sustentava, em sua maioria deputados do PL. Volta e meia surge o boato de que a PF está prestes a prender aliados Bacellar, o que seria mais um problema para Ruas. Com todas estas cascas de banana, Flávio Bolsonaro intercedeu para que André Marinho tivesse legenda no Novo para disputar o governo do estado. A tese inicial era a de Flávio manobrava a favor de André para roubar votos de Eduardo Paes na Zona Sul. Isso ajudaria a levar Ruas para o segundo turno. Filho de Paulo Marinho, suplente de Flávio no Senado Federal, André é um desconhecido para a grande maioria dos eleitores. Tanto que na pesquisa Quaest, tem 1%. LEIA MAIS Quem são os pré-candidatos ao Governo do RJ em 2026? A aposta é a de que o terremoto politico-policial faça que a campanha de 26 repita a de 22, quando o sentimento "é tudo ladrão", levou ao Palácio Guanabara dois desconhecidos: o juiz Wilson Witzel e seu vice Cláudio Castro, que acabara de se eleger vereador. André Marinho tem contra ele, além do desconhecimento e da inexperiência, a imagem de garoto da Zona Sul que nasceu em berço privilegiado. . A seu favor, o fato de que ele terá apoio do escossistema digital da direita na internet e nenhum escândalo de corrupção nas costas. Se a candidatura de Ruas implodir e a de André dar sinais de vida, não restará outra opção a Flávio a não ser apoia-lo. Mais que plano B, André é o seguro que Flávio está contratando.

Fonte: https://g1.globo.com/politica/blog/octavio-guedes/post/2026/04/27/os-esqueletos-do-pl-do-rio-que-assombram-flavio-bolsonaro.ghtml

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