Na última segunda-feira, o TSE lançou a mascote Pilili. Ao lado, a ministra Cármen Lúcia, a mesma que falou em censura "até as eleições" e criticou "200 milhões de tiranos" nas redes. (Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE)

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Inteligência é a capacidade de perceber a verdade. Por isso, quando os mentirosos assumem o poder, a inteligência se torna um crime, enquanto a burrice passa a ser o maior dos deveres cívicos.

De todos os problemas do Brasil, nenhum é mais grave do que a falta de inteligência. Não esqueçam, meus sete leitores, que o Brasil é o único país em que as taxas de inteligência declinaram nas últimas décadas.

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Há uma característica peculiar na inteligência: quanto mais você a perde, menos sabe que a perdeu. O sujeito fica burro e não nota que está burro. Pior: a burrice não é incompatível com a maldade. Maldade e burrice se retroalimentam, presas eternamente uma à outra. Uma prova disso é a elite que nos desgoverna.

Na segunda-feira, o Soviete Superior Eleitoral lançou a Pilili, mascote da urna eletrônica. É como disse meu amigo Silvio Grimaldo (o cientista político odiado à direita e à esquerda, justamente porque compreende a realidade):
“Há uma desconfiança geral com relação às urnas, ao voto não auditável e ao sistema eleitoral como um todo. E aí, para tranquilizar a população, o que faz o TSE? Dá vida ao Pilili, a mascote das eleições. Porque nada grita ‘confiança total’ mais do que uma urna antropomorfizada com nome de brinquedo do McLanche Feliz.”

Pois é, Silvio. E quem mais poderia estar ao lado da Pilili do que Cármen Lúcia, a nossa Carminha, aquela que prometeu censura “só até as eleições” e bradou contra os “200 milhões de pequenos tiranos” nas redes sociais?

A Pilili é uma daquelas coisas que só podem brotar da cabeça de políticos e marqueteiros brasileiros. Ela me faz lembrar o famoso “Cocozão” que um prefeito petista ergueu em Ponta Grossa ou, ainda, como bem lembrou o Silvio, o Chaminha, mascote que supostamente consolaria pacientes vítimas de queimaduras.

O nome onomatopaico escolhido, além de infantilizar o eleitor e afrontar o que restou da inteligência brasileira, desconsidera a capacidade nativa de fazer trocadilhos e memes

A turma já está dizendo que “pilili”, na verdade, é o “piriri” do personagem Cebolinha, de Maurício de Sousa, aquele que fala “elado”. Outros trocadilhos, que envolvem a vida íntima de um famoso delator, este cronista prefere omitir, por razões de decoro. O mais constrangedor, porém, é saber que a agência criadora da Pilili vai faturar R$ 6 milhões do nosso suado dinheiro.

Agora, se a mascote fosse uma marionete — e uma marionete do Gilmar Mendes e do Alexandre de Moraes —, seus criadores não estariam recebendo uma verba, mas talvez uma visita da Gestapo Suprema. Comprovando a minha tese de que essa gente considera a todos nós idiotas, o decano do Supremo Soviete disse, em uma de suas 89 entrevistas da semana, estar sendo vítima de deepfake com o vídeo das marionetes, como se alguém pudesse confundir a sua apolínea figura com um boneco de feltro.

No entanto, se vocês ainda tinham dúvida de que o governo nos considera energúmenos, deem uma olhada no mapa-múndi invertido que o companheiro Marcio Pochmann, secretário-geral do IBGE, novamente apresentou ao mundo. Não contentes em pendurar o país de cabeça para baixo em dívidas e medo, eles querem inverter a realidade inteira. Afinal, quem controla os símbolos controla a inteligência; quem controla a inteligência toma o poder.

E quanto às dívidas? Ora, vocês mesmos vão pagá-las com seu próprio FGTS. Não é genial? Às vezes, até a burrice produz obras-primas. É sabor inteligência.

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