Os pré-candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se colocam ao eleitor como rivais do "sistema". (Foto: Fotomontagem Gazeta do Povo (Ricardo Stuckert/PR e Andressa Anholete/Agência Senado))

Mirando as eleições de 2026, o presidente Lula mudou sua retórica para se apresentar como um forte opositor do establishment. A estratégia busca conter desgastes de imagem e disputar o eleitorado com Flávio Bolsonaro, que tradicionalmente utiliza o discurso de enfrentamento às elites e ao sistema.

O que significa o termo establishment e como Lula o utiliza?

Establishment é uma palavra em inglês para se referir ao 'sistema' ou às elites que detêm o poder político e econômico. Lula passou a usar esse conceito para atacar bilionários e o setor financeiro, tentando se posicionar como um defensor do povo contra grupos poderosos. É uma tentativa de retomar o discurso clássico da esquerda de 'nós contra eles', buscando uma figura mais contestadora.

Como Flávio Bolsonaro define o sistema em seu discurso?

Para o senador Flávio Bolsonaro, o sistema é formado por certas alas do funcionalismo público, artistas, parte da mídia tradicional e o Judiciário. Ele sustenta que esses grupos lucram com benefícios do Estado e atuam contra os valores conservadores. Além disso, a direita tenta associar essa estrutura ao crime organizado por meio de falhas na segurança pública.

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Quais são as principais contradições apontadas no novo discurso de Lula?

Analistas e opositores destacam que o PT governa o país há muitos anos, o que dificultaria a imagem de Lula como alguém fora do sistema. Com cinco mandatos presidenciais no currículo da legenda, o presidente consolidou alianças com forças políticas tradicionais e possui influência em diversos poderes. Por isso, críticos afirmam que ele e o partido são, na verdade, a própria encarnação do sistema que agora dizem combater.

Qual foi a reação das lideranças da oposição à estratégia do governo?

Parlamentares da oposição ironizaram a tentativa do presidente de parecer um outsider, ou seja, alguém que vem de fora da política tradicional. Nomes como Nikolas Ferreira e Sergio Moro criticaram o uso da máquina pública para tentar 'recontar a história'. Eles argumentam que a fala é descolada da realidade, já que o grupo atual no poder mantém influência profunda nas instituições brasileiras há décadas.

Qual é o objetivo eleitoral por trás dessa mudança de narrativa?

O objetivo é tentar transformar a eleição de 2026 em uma espécie de plebiscito entre 'inclusão social' e 'privilégios'. Ao adotar a pauta antissistema, Lula tenta reconectar seu governo com a base de trabalhadores e beneficiários de programas sociais, ao mesmo tempo em que confunde o eleitor e invade um terreno simbólico que vinha sendo dominado pela direita conservadora.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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