A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) projeta um salto significativo na produção de sorgo na safra 2025/26. De acordo com as estimativas mais recentes, a cultura deve apresentar um aumento de 22% para uma produção de 7,47 milhões de toneladas, obtidas de uma área de 2,02 milhões de hectares, apresentando o terceiro maior crescimento entre os grãos.
Na avaliação do presidente da Abramilho (Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo), Paulo Bertolini, o salto na área e no volume é reflexo de uma tendência dos produtores em optar pela plantação de sorgo em um período tradicionalmente voltado ao segundo ciclo do milho.
“Esse ano, a cultura do milho na segunda safra reduziu a área e o sorgo ocupou esses espaços e avançou em cima de áreas que antes não eram ocupadas. O grande volume é resultado por essa dinâmica em todo o país”, explicou.
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Publicado em 2026-04-28 02:18:03Por ser um cultivo considerado “rústico” e “resiliente”, o sorgo é tolerante a condições climáticas que prejudicam outras culturas, como déficit hídrico e longos períodos de seca.
A facilidade de implementação somada à presença do cereal na rotação de outras culturas (milho, cana-de-açúcar e soja) possibilitou a popularização da produção de sorgo em todo o país, para além dos estados tradicionais (Goiás, São Paulo e Minas Gerais).
“O sorgo tem sido uma alternativa bastante interessante para agricultores que perdem a janela ideal do plantio do milho da segunda safra ou que estão em uma região com maior risco climático para a implantação da segunda safra, em função de ele ser mais rústico e também ter um custo total de implantação da lavoura”, complementou Bertolini.
Outro fator que está impulsionando a adesão do sorgo por novos agricultores é o aumento da demanda e da diversificação dos usos do cereal.
Novos usos do sorgo
Tradicionalmente utilizado na ração animal, o sorgo passou a ser destinado também para a produção de etanol e DDG (Grãos Secos de Destilaria), seguindo tendência do milho.
Segundo o presidente da Abramilho, as indústrias que já produzem etanol de milho estão em processo de adaptação para também processar sorgo, que entrega um bicombustível de boa qualidade e com rendimento semelhante ao milho.
Derivado da produção de etanol, o DDG de sorgo também está ganhando espaço no mercado de alimentação animal por ser apresentar alta qualidade, semelhante ao DDG de milho.
“O DDG de sorgo é muito similar ao de milho, perde muito pouco em algumas características e supera em outras, como por exemplo a quantidade de proteína”, afirmou o CEO da Latina Seeds, William Sawa.
Ele destaca também que esse subproduto do sorgo apresenta diferenciais para os mercados de suinocultura e avicultura: “ Diferentemente do DDG de milho, o derivado não sofre com aflatoxina (microtoxina cancerígena produzida por fungos) e pode ser usado para esses mercados”.
Outra vantagem dessa modalidade é a origem natural, o que facilita a entrada em mercados com maiores exigências.
“Esse DDG futuramente também pode ser exportado. Diferentemente do DDG de milho, o DDG do sorgo não é proveniente de biotecnologia. Então, ele terá mais facilidade de entrar em mercados difíceis de atingir, como a União Europeia”, explicou o presidente da Abramilho.
Na avaliação do CEO da Latina Seeds, a diversificação dos compradores está aumentando o interesse dos produtores em destinar mais recursos e área para a plantação de sorgo, uma tendência que deve se intensificar nos próximos anos.
Busca pelo protagonismo global
Atualmente, o Brasil é o terceiro maior produtor global, atrás apenas da Nigéria e dos Estados Unidos. A expectativa da Abramilho é de que até 2030 o país assuma a liderança global.
Segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a produção anual nos Estados Unidos está estimada em 11,1 milhões de toneladas, volume 3,6 milhões maior do que a projeção da Conab para o Brasil nesta safra.
Umas das estratégias para que o Brasil alcance o topo da produção global é o aumento da produtividade. Neste contexto, a Latina Seeds estima que, com o aumento de produtividade média para 6 toneladas por hectare, o país possa ultrapassar a marca de 12 milhões de toneladas nos próximos anos, sem um crescimento na área plantada.
“Então, nós vamos quase que dobrar a produção aumentando a produtividade média a campo. Isso é uma cobrança do produtor e envolve genética com potencial produtivo, manejo e investimento de tempo e dinheiro”, destacou o CEO da empresa.
Pela versatilidade, o sorgo tende também a ocupar áreas produtivas que atualmente não são muito aproveitadas, como as pastagens degradadas. Nos últimos anos, essa cultura apresentou um crescimento de cerca de 12% na área plantada, outro fator essencial para alcançar o protagonismo global de produção.
Na avaliação de William Sawa, os elos do setor ainda estão em processo de “aprendizagem” para melhor aproveitar o cereal e devem atingir “maturidade” até 2030.
“Todo esse movimento, vai continuar trazendo um crescimento para a cultura do sorgo para os próximos anos. Hoje, o sorgo é o novo grão de ouro”, destacou o CEO.
Exportações em alta
Com a tendência de aumento no produção, o setor visa intensificar os embarques para o exterior. Segundo a Abramilho, atualmente o Brasil tem cerca de 10 mercados para a exportação do cereal, um número que a associação pretende aumentar nos próximos anos.
O principal mercado para o setor é a China, o país importa cerca de 10 milhões de toneladas de sorgo por ano. O principal fornecedor são os Estados Unidos, no entanto, a China está em processo de diversificar os fornecedores para diminuir a dependência norte-americana.
Além do uso para ração animal, o país aproveita o sorgo para a produção de Baijiu, bebida alcóolica popular no país.
Segundo Paulo Bertolini, em fevereiro a China aprovou a primeira carga teste de sorgo brasileiro. Atualmente, apenas três empresas estão habilitadas para realizar essas exportações, mas outras 100 têm interesse em se qualificar para esse mercado.
O Brasil pretende também ampliar os embarques para a África. O continente concentra três dos maiores produtores e é um dos principais consumidores do cereal no mundo. Além do uso para a pecuária, o sorgo está presente na culinária de vários países no continente.
*sob a supervisão de Luciana Franco