José Veloso, presidente da Abimaq, alertou que a redução da jornada de trabalho no Brasil sem contrapartida de aumento de produtividade resultará em queda de remuneração e precarização do emprego.
A declaração foi feita à CNN Brasil durante a Hannover Messe, maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, na Alemanha.
“A grande preocupação é a redução de jornada por lei. Hoje, o que a gente defende é o livre acordo”, afirmou Veloso.
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Publicado em 2026-04-26 13:36:21Segundo ele, a média atual de jornada no setor de máquinas é de 42 horas semanais por convenção coletiva, e a imposição de redução via Constituição, sem investimentos para melhorar a produtividade, aumentará os custos dos produtos.
Veloso explicou que mesmo com a proposta de manter os salários, a redução ocorrerá naturalmente com a rotatividade de funcionários.
“Vai diminuir o salário, vai precarizar, porque muitas empresas, principalmente aquelas pequenas empresas de serviços, elas que têm três, quatro, cinco funcionários, ela vai ter que contratar dois a mais, ela não vai conseguir”, destacou.
Durante a feira, Veloso relatou que instituições e empresas estrangeiras demonstraram interesse em investir no Brasil, motivadas pelo possível acordo entre Mercosul e a União Europeia e pela posição geopolítica favorável do país.
“O Brasil, na questão geopolítica, é um país amigo, eles consideram o Brasil um país amigo. E eles aqui estão com problemas graves de custos”, explicou.
A estratégia das empresas europeias seria trazer os componentes principais de suas máquinas e fazer a integração com periféricos no Brasil, aproveitando custos mais baixos.
Segundo Veloso, quando uma empresa estrangeira investe no Brasil com o mesmo nível de sofisticação que tem em seu país de origem, a operação brasileira se torna mais competitiva.
“Na hora que o americano ou o alemão vai para o Brasil e investe como ele investe na sua matriz, nós nos tornamos um país bastante competitivo”, afirmou.
O alto custo de capital foi apontado como principal obstáculo para as empresas brasileiras. Veloso destacou que as taxas de juros elevadas impedem investimentos necessários para aumentar a produtividade.
“A empresa brasileira que se socorre do mercado financeiro com as taxas de juros que nós temos, ela acaba não investindo e ficando com uma baixa produtividade”, explicou.
Para resolver esse problema, ele defende reformas macroeconômicas e redução da carga tributária.
Sobre as oportunidades com o acordo Mercosul-União Europeia, Veloso destacou o interesse alemão em energia renovável e novas tecnologias.
“Eles estão muito interessados em levar essas tecnologias de inteligência artificial, automação, para os sistemas de geração de energia, seja biomassa, energia eólica, enfim, toda essa vantagem que o Brasil tem”, concluído.