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O saudoso professor José Monir Nasser ensinava que existem basicamente quatro tipos de mentira.
A mentira ligeira: aquela mentira quase inocente que você conta para se livrar de um chato (“Preciso ir agora, tenho dentista”) ou para evitar um constrangimento (“O seu bebê é lindo” — mas a criança é feinha, tem cara de joelho; você não vai ofender uma amiga dizendo isso, até porque bebês podem nascer feios e ficar bonitos depois”).
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Publicado em 2026-05-11 16:36:47Receba um e-mail do Briguet: Inscreva-se grátis na Newsletter do Paulo Briguet e ganhe uma crônica exclusiva por e-mail todas as semanas.
A mentira instrumental: essa é perigosa. Trata-se da mentira que você conta para obter alguma vantagem. É a mentira do bajulador, do estelionatário, do político demagogo (que, às vezes, são a mesma pessoa).
Há ainda a mentira patológica, que pode ser divertida. Todo mundo tem um parente que adora contar histórias imaginárias, por uma compulsão absolutamente incontrolável. Sabe aquele tio que, nas festas de fim de ano, de repente diz: “Eu namorei a Hebe Camargo”? Então, é ele.
Mas o quarto e mais devastador tipo de mentira é a mentira existencial. A mentira em que o próprio mentiroso acredita. A mentira que se torna o próprio sentido da vida da pessoa. A mentira do autoengano, que está para o mentiroso da mesma maneira que a água está para o peixe. O mentiroso existencial já não enxerga a mentira, porque ela tomou conta de sua alma.
O problema é que essa mentira está no poder. Nós, brasileiros, somos todos reféns dessa mentira fundamental: a convicção de que existe uma fórmula infalível para resolver os problemas deste mundo sem se importar com Deus ou com a vida eterna. Essa é a crença central da mentalidade revolucionária que nos governa.
A palavra vem do latim “mens”, mente; portanto, mentira é aquilo que só existe dentro da mente das pessoas. O mentiroso existencial — e todos os chefes do Regime PT-STF são mentirosos existenciais — tenta reduzir o mundo àquilo que está em sua cabeça. O ditador mentiroso — e seus cúmplices, porque ninguém é ditador sozinho — está em perpétua rebelião contra a realidade; em última instância, em rebelião contra o próprio Deus.
O Regime PT-STF está inteiramente baseado numa mentira: a farsa do 8 de Janeiro. Para esconder o fato de que a eleição do atual ocupante da Presidência só foi possível graças a uma série de golpes institucionais — a começar pela descondenação de Luiz Inácio Lula da Silva —, tentam imputar a seus inimigos políticos um golpe que jamais existiu na realidade. Todos sabem disso. Eu sei, vocês sabem, eles sabem. Mas, para o regime, vale a velha máxima de todo militante revolucionário: “Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz”.
É por isso que Alexandre de Moraes suspendeu a Lei da Dosimetria, uma lei aprovada com esmagadora maioria pelo Congresso Nacional.
A razão de Moraes é tão simples quanto nefasta: como o 8 de Janeiro é uma grande farsa, aceitar mesmo a mais modesta redução das penas seria começar a admitir que o regime inteiro está fundamentado na mentira
Por isso, Lula nem se manifestou sobre a derrubada do seu veto: se o fizesse, estaria admitindo a verdade — e a verdade, para ele e seus companheiros de ditadura, é a maior inimiga.
(A propósito, acho que vou pendurar na minha janela uma faixa com uma só palavra: MENTIROSO. Receberei a visita da polícia?)
Mas a verdade tem uma força que nenhum ditador é capaz de conter para sempre. Com o tempo, virá não apenas a dosimetria, mas a anistia; não apenas a anistia, mas a anulação de toda a farsa; não apenas a anulação de toda a farsa, mas a punição dos responsáveis pela farsa; e não apenas a punição dos responsáveis, mas a reparação dos danos e o reconhecimento de que o Estado brasileiro permitiu a perseguição, a tortura e a destruição de vidas inocentes.
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