Regiões que utilizam agricultura irrigada apresentam melhores indicadores econômicos e sociais do que outros municípios rurais. Nesses locais, o PIB (Produto Interno Bruto) per capita pode ser até 256% maior. Em Mato Grosso, por exemplo, esse valor ultrapassa R$ 182 mil, um dos mais altos registrados no estudo.

Os dados são de levantamento da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) e do Grupo de Políticas Públicas  da ESALQ/USP (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo). 

A pesquisa analisou sete polos regionais com presença significativa de irrigação em quatro estados. Na Bahia, por exemplo, os ganhos médios são 68,6% superiores, enquanto em Minas Gerais a diferença é de 42,85%. No Rio Grande do Sul e em Mato Grosso, os aumentos observados são de 11,96% e 8,13%, respectivamente.

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“O estudo indica que a agricultura irrigada tende a ganhar ainda mais importância diante dos desafios climáticos e produtivos, ampliando a eficiência no campo e contribuindo para reduzir desigualdades regionais. A avaliação é que, com políticas públicas adequadas e planejamento, a tecnologia pode ganhar escala no país e ajudar o produtor a produzir mais com segurança, mesmo diante das variações climáticas”, afirma Luiz Paulo Heimpel, Vice-presidente da CSEI (Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da Abimaq).

Além da renda, o levantamento mostra menor dependência de programas de transferência de renda nos polos irrigados. Em Mato Grosso, por exemplo, o percentual de beneficiários é cerca de 50% inferior em relação aos demais municípios rurais.

Dados da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) indicam que o Brasil possui atualmente cerca de 8,2 milhões de hectares equipados para irrigação. Segundo estimativas, esse total pode crescer mais de cinco vezes, com a incorporação de até 55,85 milhões de hectares, sendo aproximadamente 48% dessas áreas ocupadas por pastagens.

As simulações realizadas apontam que a expansão da irrigação pode gerar impactos econômicos no curto e no longo prazo. A cada 1,6 mil hectares incorporados, o valor adicionado bruto da agropecuária pode aumentar em R$ 8,27 milhões inicialmente, podendo chegar a cerca de R$ 14 milhões ao longo do tempo, além da criação de empregos formais.

O estudo também destaca fatores relacionados à expansão da irrigação no país, como o acesso à energia, a qualificação da mão de obra, a gestão dos recursos hídricos e a conectividade no meio rural.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/regioes-irrigadas-tem-pib-ate-256-maior-aponta-estudo/